O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs, na segunda-feira (1°), a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil. Para o analista sênior de Internacional durante o CNN 360°, Américo Martins, a medida não encontra respaldo econômico e revela, na verdade, uma postura política da administração americana em relação ao país.
Segundo Martins, há dois motivos principais que tornam a medida economicamente inconsistente. O primeiro é que tarifas dessa magnitude prejudicam também a própria economia americana, afetando importadores, consumidores e cadeias de produção dos Estados Unidos que dependem de insumos brasileiros.
O segundo é o fato de o Brasil ter um déficit comercial com os Estados Unidos, o que invalida o argumento habitualmente usado pela administração Trump de correção de desequilíbrios na balança comercial. “Do ponto de vista da própria economia americana, não faz sentido”, afirmou o analista.
Alegações variadas e contraditórias
Entre os argumentos levantados pelo governo americano para justificar o tarifaço, Martins destacou questões como as tarifas brasileiras sobre o etanol americano — que, segundo ele, são de fato elevadas e poderiam ser renegociadas — e a concessão de tarifas preferenciais a países como México e Índia.
No entanto, o analista ponderou que esses pontos poderiam ser tratados por meio de negociações comerciais ou de um acordo de livre comércio, como um eventual entendimento com os países do Mercosul.
Outros argumentos, como a contestação ao Pix, sistema de pagamentos eletrônicos amplamente adotado no Brasil, foram classificados por Martins como uma tentativa de proteger indústrias americanas. “Não é uma questão de criticar o protecionismo brasileiro, mas eles sim é que estão agindo com intenção protecionista”, disse.
Outro ponto que chamou a atenção do analista foi o uso de alegações ambientais para justificar as tarifas. O governo americano citou o desmatamento da Amazônia como um dos fatores que embasariam a medida.
Martins reconheceu que o desmatamento ilegal é um problema real no Brasil, mas ressaltou que os índices têm caído: na semana anterior à análise, foi anunciada uma redução de 20% no desmatamento ilegal de 2024 em relação a 2025, representando um recorde em sete anos.
O analista também apontou a contradição no argumento, uma vez que a administração americana defende a exploração de petróleo e combustíveis fósseis e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris.
Motivação política
Diante do conjunto de justificativas apresentadas, Américo Martins concluiu que a real motivação por trás da proposta tarifária é de natureza política. “Na minha análise, só pode ser uma questão política de fato, uma questão de imaginar o Brasil como um país que não é amigo dos Estados Unidos”, afirmou.
O analista ainda destacou que Marco Rubio fez declaração nesse sentido no Congresso americano no mesmo dia, o que, segundo ele, evidencia a visão que a administração americana e o Departamento de Estado têm de países como o Brasil.
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