Uma das maiores empresas de saneamento do país, a Aegea e seus sócios devem apresentar nova proposta para tornar-se acionista de referência na privatização da estatal mineira Copasa.
“A probabilidade de participarmos ativamente da disputa é muito alta”, disse à CNN o CEO do grupo, Radamés Casseb, ponderando que a decisão final está sendo discutida em todos os âmbitos de governança do consórcio.
“Acionistas e investidores, nesse consórcio de atuação específica, mantêm muito interesse em Minas Gerais. A minha expectativa é que estejamos aptos e participando”, afirmou Radamés, durante participação no Conexão Infra, que vai ao ar nesta segunda-feira (1º).
A Aegea foi uma das duas companhias, junto com a Equatorial (controladora da Sabesp), que entregaram propostas iniciais na oferta de ações da Copasa. O governo de Minas Gerais, no entanto, avaliou que ambas as propostas estavam abaixo do “valuation” mínimo esperado e reabriu o processo.
Com a nova modelagem, foi estabelecido um piso de R$ 47,23 para o valor da ação, o que precificou a companhia de saneamento em quase R$ 18 bilhões.
O acionista de referência terá 30% do capital da Copasa. As novas ofertas deverão ser apresentadas nesta quarta-feira (3).
Consórcio
Os três sócios da Aegea — Equipav, Itaúsa e GIC (fundo soberano de Cingapura) — montaram um veículo de investimento, com 33% de participação cada, para participar da privatização da Copasa. A própria Aegea participa com 1%.
Conforme lembrou Radamés, é uma engenharia financeira que emula outras investidas do grupo, como a privatização da Corsan (RS) e os blocos de saneamento concedidos no Rio de Janeiro. No caso gaúcho, por exemplo, a Perfin e a Kinea se tornaram sócias da Aegea.
Para o executivo, a reabertura do processo pelo governo de Minas Gerais é uma “posição legítima de qualquer gestor público que quer o melhor para seu estado” e pode atrair novos players para a disputa.
Apesar de um valor mínimo das ações superior à proposta inicialmente apresentada pela Aegea e seus sócios, Radamés considera “adequada” a nova precificação da Copasa.
“Do ponto de vista estrutural do ativo, eu diria que está adequado, mas as condições macroeconômicas impõem reflexão e cuidado, principalmente quanto à alocação desse capital ao longo do tempo. A decisão começa no envelope, não termina com a entrega do envelope.”

