A incorporadora Patrimar traçou uma estratégia para estrear no mercado imobiliário da cidade de São Paulo com foco no segmento Minha Casa Minha Vida.
A empresa projeta mais de R$ 1,1 bilhão em lançamentos na capital paulista, iniciando com um banco de terrenos de mais de 1.500 unidades planejadas para o primeiro semestre de 2026.
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Felipe Gonçalves, CFO da Patrimar, explicou os fatores que motivaram a escolha do momento e da praça.
“O momento do segmento do Minha Casa Minha Vida é bastante positivo nos últimos anos. Tem um programa que tem uma organização, tanto de preço quanto de renda, bastante atrativa”, afirmou.
Ele também destacou que a mudança do plano diretor de São Paulo, em 2024, tornou a cidade mais atrativa para a verticalização em determinadas regiões.
Novo ciclo de expansão
Gonçalves ressaltou que a chegada à capital paulista representa o início de um novo ciclo para a companhia.
“A entrada agora na cidade de São Paulo é o início desse novo ciclo de estabilização da operação entre alto padrão e segmento econômico”, disse.
Segundo ele, a Patrimar já atuava no interior de São Paulo há alguns anos e tem operações em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. A empresa afirma ter um pipeline que supera R$ 2 bilhões em terrenos sendo negociados na cidade, com meta de estabilizar seus lançamentos anuais entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões.
Demanda reprimida e déficit habitacional
Questionado sobre o potencial de crescimento do segmento econômico, o executivo apontou a existência de uma demanda reprimida expressiva.
“Existe uma demanda reprimida do segmento econômico que vai das faixas de dois, três salários até as faixas de nove salários mínimos. Isso é onde, de fato, existe hoje o maior déficit habitacional“, afirmou.
Ele acrescentou que o déficit é crescente ano a ano, uma vez que se ofertam menos unidades do que se formam novas famílias, e que a pirâmide etária brasileira aponta para uma formação intensa de famílias nos próximos 10 a 15 anos.
Desafios e perspectivas de margem
Entre os principais desafios da operação em São Paulo, Gonçalves citou os juros e a inflação como os fatores de maior atenção.
“Os juros talvez menos no segmento econômico e mais no segmento de médio e alto padrão”, ponderou, acrescentando que, no Minha Casa Minha Vida, o financiamento tem uma dinâmica própria, com recursos provenientes do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
Sobre a concorrência na capital paulista, ele reconheceu a presença de grandes empresas capitalizadas, mas afirmou que a Patrimar pretende atuar em um nicho específico, evitando disputar os mesmos terrenos e projetos.
Em relação às margens, Gonçalves indicou que o aumento de escala tende a gerar resultados positivos, embora os primeiros empreendimentos em uma praça nova envolvam uma curva de aprendizado.
“A gente começa com um empreendimento, testa, enxerga e aí vai escalando ao longo do tempo”, concluiu.
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