A Marinha francesa interceptou um petroleiro alvo de sanções que havia partido de um porto russo – a terceira apreensão conhecida nos últimos meses.
O navio – o Tagor – foi apreendido no Atlântico “em águas internacionais, com o apoio de diversos parceiros, incluindo o Reino Unido, em estrita conformidade com o direito do mar”, declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (1º), em uma publicação no X.
Um petroleiro com esse nome, registrado em Madagascar, foi identificado em sites de rastreamento de navios no Atlântico Norte há cinco dias, após ter partido do porto russo de Umba.
O Tagor está sujeito a sanções da União Europeia, do Reino Unido e dos Estados Unidos.
“É inaceitável que navios contornem as sanções internacionais, violem o direito do mar e financiem a guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia há mais de quatro anos”, disse Macron.
“Essas embarcações, que não cumprem as regras mais básicas da navegação marítima, também representam uma ameaça ao meio ambiente e à segurança de todos.”
O Kremlin afirmou que a ação da França na noite de domingo (31) foi “ilegal, beirando a pirataria internacional”.
“Discordamos veementemente que essas ações estejam sendo realizadas em plena conformidade com o direito internacional”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Acredita-se que o capitão do Tagor seja um cidadão russo, informou a embaixada russa em Paris à agência de notícias estatal TASS.
A embaixada disse ter solicitado informações às autoridades francesas sobre a presença de cidadãos russos entre a tripulação, mas ainda não recebeu resposta.
A França instou o Ocidente a adotar uma postura mais rigorosa na interceptação de navios que transportam petróleo russo, em desafio às sanções, alegando que frequentemente navegam sob bandeiras falsas, não possuem seguro ou não têm certificação de segurança.
Em março, a Marinha francesa apreendeu um petroleiro no Mediterrâneo que, segundo Macron, pertencia à frota paralela da Rússia, composta por centenas de navios-tanque que permitem à Rússia burlar as sanções.
Esses navios “buscam obter lucros e financiar o esforço de guerra da Rússia”, declarou Macron na ocasião.
Os Estados Unidos aliviaram as sanções ao petróleo russo já em alto-mar, visto que o conflito no Oriente Médio interrompe o fornecimento de petróleo. A Europa não seguiu o exemplo.
O governo do Reino Unido declarou em março que “interromper, dissuadir e degradar a frota paralela da Rússia – e privar a máquina de guerra de Putin de fundos – é uma prioridade para este governo” e seus aliados.
Em janeiro, a França interceptou outro petroleiro entre a costa sul da Espanha e a costa norte de Marrocos, sob suspeita de que fizesse parte da frota clandestina russa.
Em março, a Bélgica interceptou outro petroleiro suspeito de navegar com “bandeira falsa e documentos falsos”, com auxílio francês.

