As vacinas são consideradas um dos maiores avanços da medicina, sendo responsáveis por reduzir drasticamente doenças graves e salvar milhões de vidas todos os anos. No entanto, elas ainda enfrentam dois desafios: a desinformação e a desconfiança por parte da população.
Mesmo após décadas de estudos científicos e campanhas de saúde pública, mitos sobre imunização continuam circulando nas redes sociais e em grupos de mensagens. Informações falsas que podem comprometer a cobertura vacinal e favorecer o retorno de doenças antes controladas.
Veja abaixo seis mitos sobre vacinas que continuam sobrevivendo e o que especialistas dizem sobre eles.
“Vacinas causam autismo”
Esse é um dos mitos mais conhecidos e também um dos mais desmentidos pela ciência. A falsa relação surgiu após a publicação de um estudo em 1998, posteriormente retirado da comunidade científica por fraude e erros graves na pesquisa.
Desde então, dezenas de estudos realizados em diferentes países acompanharam milhões de crianças e não encontraram qualquer ligação entre vacinas e autismo. Organizações como a Organização Mundial da Saúde e os Centers for Disease Control and Prevention reforçam que vacinas são seguras e não provocam transtorno do espectro autista.
“Essa questão do autismo está relacionada a um estudo publicado há muitos anos atrás e que os grupos antivacina se aproveitam, apesar de ter sido retratado, já ter sido desmentido, já ter sido várias vezes demonstrado que ele não é verdadeiro”, explica Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Bronstein, da Dasa.
“É melhor pegar a doença do que se vacinar”
Embora algumas doenças possam gerar imunidade natural, os riscos associados à infecção costumam ser muito maiores do que os possíveis efeitos colaterais das vacinas.
Sarampo, meningite e covid-19, por exemplo, podem causar complicações graves, sequelas permanentes e até morte. Já as vacinas estimulam o sistema imunológico de forma controlada, reduzindo significativamente as chances de casos graves.
Segundo especialistas, a imunização é justamente uma forma de evitar que o organismo enfrente os perigos reais da doença.
“As técnicas de desenvolvimento de vacina vão estimular esse sistema imune a desenvolver mecanismos de proteção contra aquele agente. A infecção natural vai causar uma infecção que muitas vezes é grave, com riscos, inclusive, de óbito. Então, a esperar que a imunidade natural aconteça, aumenta o risco de complicações e aumenta a mortalidade”, acrescenta Chebabo.
“Vacinas enfraquecem o sistema imunológico”
O sistema imunológico é preparado para lidar diariamente com milhares de vírus e bactérias. As vacinas utilizam uma pequena fração desses agentes, inativados ou enfraquecidos, para ensinar o organismo a se defender.
Na prática, elas fortalecem a resposta imunológica ao criar memória contra doenças específicas. Estudos mostram que crianças e adultos vacinados não ficam mais vulneráveis a infecções por causa das vacinas.
Especialistas afirmam ainda que o número de antígenos presentes nas vacinas atuais é muito menor do que o contato natural que o corpo tem com microrganismos no dia a dia.
“Vacina da gripe causa gripe”
É provavelmente a fake news mais repetida todos os anos. Mas a explicação é simples: as vacinas contra gripe aplicadas no Brasil utilizam vírus inativados ou apenas fragmentos virais, ou seja, não conseguem provocar a doença.
O que algumas pessoas sentem após receberem a dose são sinais esperados de resposta imunológica da vacinação, como dor no braço, cansaço leve ou febre baixa por curto período.
No Brasil, a campanha do SUS de vacinação contra a gripe usa a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus e é destinada aos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como idosos, crianças, gestantes, puérperas, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades.
“A vacina não provoca gripe porque não contém vírus capaz de se replicar. Muitas vezes, a pessoa já estava incubando outro vírus respiratório ou interpreta uma reação leve como doença, o que gera confusão frequente nesta época do ano”, afirma Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista do Delboni, em São Paulo, e coordenadora em vacinas da Dasa.
“Vacinas têm substâncias perigosas”
Outro mito recorrente envolve os componentes utilizados na fabricação das vacinas. Conservantes e estabilizantes são frequentemente apontados como tóxicos, apesar de estarem presentes em quantidades seguras e rigorosamente controladas.
Agências reguladoras como a Anvisa avaliam os ingredientes de todas as vacinas antes da liberação para uso. Além disso, os imunizantes passam por testes clínicos e monitoramento contínuo após chegarem à população.
Reações adversas graves são raras e geralmente muito menos perigosas do que as complicações causadas pelas doenças que as vacinas previnem.
“Como algumas doenças desapareceram, não é mais preciso vacinar”
A redução de doenças como poliomielite e sarampo ocorreu justamente graças às campanhas de vacinação em massa. Quando a cobertura vacinal cai, o risco de reintrodução dessas doenças aumenta.
Foi o que aconteceu em diversos países nos últimos anos, com novos surtos de sarampo após a queda nas taxas de imunização. Especialistas alertam que vírus e bactérias continuam circulando em diferentes regiões do mundo, o que torna a vacinação essencial.
A proteção coletiva depende de altas taxas de imunização. Quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação dos agentes infecciosos e maior a proteção de grupos vulneráveis, como idosos, bebês e pessoas imunossuprimidas.
Combate à desinformação
Autoridades de saúde defendem que o combate às fake news é parte fundamental das estratégias de vacinação. A recomendação é buscar informações em fontes confiáveis, como órgãos oficiais, sociedades médicas e profissionais de saúde.
Para os especialistas, a vacinação continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir doenças, reduzir internações e evitar mortes.
“Um dos grandes problemas que a gente tem é exatamente a questão da desinformação sobre as vacinas. Os imunizantes todos passam por estudos importantes de segurança e de eficácia. Essas fake news se utilizam de informações falsas. Às vezes, são misturadas com informações parcialmente verdadeiras para dar um caráter de verdade, e desestimula as pessoas a se vacinarem. Isso faz com que haja uma queda e uma desconfiança da vacinação, fazendo com que haja um risco de complicações e de reintrodução de algumas doenças”, diz Chebabo.
Vai viajar para a Copa do Mundo? Veja quais vacinas deve tomar

