Ana Paula Renault, 44, passou cem dias sendo filmada por 24 horas, conquistou uma legião de fãs, saiu vencedora do Big Brother Brasil 2026, mas não está nem perto de parar por aí. Em uma conversa com a CNN Brasil, nos bastidores da campanha de estreia de “Rancho Dutton” no Paramount +, a jornalista fez um balanço de seu impacto com o público.
Para ela, os resultados de sua trajetória — que não está perto de acabar — vêm de receber uma resposta de seu público feminino, que relata como seu exemplo as fez se impor em relações familiares, no trabalho e até na própria vida. “O que eu posso ficar um pouco orgulhosa é disso: da minha voz pública estar colaborando com a voz de todas as outras mulheres. Assim, a gente acaba ampliando isso, virando um uníssono e sendo mais forte.”
“O que eu tenho realmente muita vontade é de deixar as mulheres à vontade”, reflete ao pensar em voltar para a televisão. Como espectadora, Ana Paula avalia sentir falta de conteúdos que combinem o bom-humor com informação e credibilidade, que instiguem o público a ponto de gerar um impacto.
“É complicado, mas acho que é possível fazer. Se eu conseguisse alinhar minha personalidade, minha vontade de levar conhecimento e entretenimento para as pessoas, seria incrível”, coloca como condição. “Estou tentando achar o caminho do meio.”
“Acho que, quanto mais produções que mostrem mulheres com autonomia, inteligentes, com vida própria, mesmo ocupando o lugar que a sociedade espera da gente, melhor”, diz ao relacionar suas vontades com a proposta do spin-off “Rancho Dutton”, que lança episódios semanais na plataforma. A trama acompanha Kelly Reilly e Cole Hauser retomando seus personagens de “Yellowstone” em uma tentativa de recomeço no sul do Texas.
Beth Dutton (Reilly) representa justamente esse tipo de mulher que provoca incômodo ao exercer liderança em um ambiente ainda marcado pelo patriarcado, mesmo que desempenhe os papéis de mãe e esposa. “A imagem dela transparece muita segurança. E uma mulher segura não é algo que todo mundo aceita muito bem, ainda mais na sociedade de lá, uma região mais conservadora”, avalia Ana Paula.
“Muitas vezes, as decisões partem dela, e vocês têm que entender que, hoje em dia, grande parte das famílias é chefiada por mulheres, mães solo. Essa força sempre esteve aí, só não era reconhecida (…) Está na cara que são as mulheres que são arrimo de família, que fazem e acontecem”, conclui.

