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PCC e CV terroristas pode afetar turismo no Brasil, diz especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)
PCC e CV terroristas pode afetar turismo no Brasil, diz especialista

A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode gerar uma série de consequências econômicas e reputacionais para o Brasil.

Em entrevista ao CNN Money, Jorge Lasmar, especialista em Relações Internacionais, analisou os possíveis impactos dessa decisão sobre diferentes setores da economia brasileira.

Segundo Lasmar, a designação implica dois níveis de efeitos: a classificação em si como terrorismo e o regime de sanções que passa a ser adotado.

“Os americanos, as empresas americanas, são proibidas de comerciar com entidades sancionadas. Isso pode restringir qualquer comércio ou ação com o Brasil”, afirmou.

Além disso, empresas americanas passarão a exigir maior rigor na identificação de seus parceiros comerciais brasileiros, elevando os custos de compliance e de risco.

Empresas brasileiras também deverão reforçar seus processos internos para demonstrar que não financiam nem facilitam a lavagem de dinheiro vinculada ao PCC ou ao Comando Vermelho. Caso alguma empresa brasileira seja identificada como apoiadora material dessas organizações, poderá sofrer sanções administrativas ou até criminais nos Estados Unidos, incluindo o chamado regime de sanções secundárias.

No longo prazo, Lasmar alertou que o encarecimento dos seguros para empresas internacionais que transacionam com o Brasil pode gerar um efeito inflacionário e, em última instância, impactar os juros.

“O preço do seguro pode encarecer bastante e gerar inclusive um efeito inflacionário e, em última instância, pode sim impactar a questão dos juros”, disse.

O especialista também destacou o risco reputacional do país.

“A mensagem que se passa internacionalmente agora é que eu tenho dois grupos terroristas ativos no Brasil e que estão dominando uma parte considerável do território brasileiro. Isso pode impactar, inclusive, o setor de turismo”, avaliou Lasmar.

Para ilustrar os possíveis desdobramentos, Lasmar citou o caso do México, que passou por situação semelhante. No país vizinho, houve aumento de ações legais contra empresas mexicanas nos Estados Unidos, além de quatro bancos que quase foram sancionados e praticamente foram afastados do sistema financeiro americano por supostas ligações com o crime organizado.

A designação também tem sido utilizada como argumento para extradições e negação de vistos a cidadãos desses países.

Outro ponto levantado por Lasmar diz respeito à cooperação internacional no combate ao crime. Com a nova classificação, o enfrentamento a esses grupos deixa de ser tratado na esfera policial e passa para a área de defesa e segurança dos Estados Unidos, ficando sob competência da CIA e sendo classificado como matéria confidencial.

Isso pode afetar o fluxo de informações entre os dois países nos casos envolvendo a presença do PCC em território americano.

Diante desse cenário, Lasmar apontou o diálogo diplomático como o principal caminho a ser seguido.

“Com certeza, a saída diplomática é uma maneira”, afirmou.

No entanto, o especialista ressaltou que o governo brasileiro também precisará demonstrar que adotou “medidas claras e eficazes de combate à criminalidade”, lembrando que o PCC já é sancionado pelos Estados Unidos desde 2021.

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