Uma fonte sênior iraniana confirmou à agência Reuters que o Irã não concordou em entregar seu estoque de urânio altamente enriquecido a nenhum país terceiro. Segundo a mesma fonte, a questão nuclear iraniana não faz parte do acordo preliminar em discussão com os Estados Unidos.
De acordo com o analista de Internacional Américo Martins, a declaração representa um novo obstáculo nas já complexas negociações entre Teerã e Washington.
“A gente tem visto uma grande novela nessa negociação. Os dois lados fazem demandas e propostas, e os dois lados rejeitam as demandas e propostas do outro lado”, destacou Américo ao Live CNN de sexta-feira (29).
De acordo com Américo Martins, a semana havia começado com expectativas positivas em torno de um possível entendimento entre os dois países. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a afirmar que as negociações estavam em estágio avançado, restando apenas ajustes de linguagem no texto do acordo.
“Mas cada vez que a gente vai atrás de mais informações para saber qual o real estado dessas negociações, a gente bate em mais dificuldades”, ponderou Américo.
Ibrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, declarou à mídia estatal do Irã e também à mídia russa que o país simplesmente não vai considerar a possibilidade de entregar seu urânio enriquecido.
A posição de Azizi, descrita como linha-dura, representa um sério entrave para qualquer entendimento. No centro do impasse está a exigência por parte de Donald Trump de que o Irã abra mão completamente de seu programa nuclear, tanto para fins militares quanto para fins pacíficos.
Isso implicaria a transferência de aproximadamente 400 a 500 kg de urânio já enriquecido a 60% para um país terceiro. “Se eles conseguirem enriquecer um pouco mais, isso pode virar matéria-prima para a fabricação de uma bomba nuclear“, explicou o analista da CNN.
A exigência de entrega do urânio é vista como a principal garantia de que o Irã não tentará, no futuro, desenvolver armamentos deste tipo.
Américo destacou que, sem essa concessão, temas como a retirada de tropas norte-americanas da região, a liberação do Estreito de Ormuz e um possível desarmamento parcial do Irã perdem relevância no contexto das negociações.
“Se a questão nuclear não entrar na negociação e o Irã não der prova de que não vai construir uma bomba atômica, não teremos acordo. De vez em quando temos um passo à frente, mas quase todo dia temos alguns passos para trás, e esse acordo vai ficando cada vez mais distante”, resumiu Américo Martins.

