O Departamento de Estado dos EUA anunciou, na quinta-feira (28), a classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
A medida gerou debate sobre se a decisão teria cunho político, especialmente em relação ao cenário eleitoral brasileiro, ou se se trataria de uma postura estratégica do governo americano.
Os analistas de internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna e Américo Martins, discutiram as possíveis motivações por trás da classificação, respondendo a perguntas enviadas pelo público.
Argumento contra o uso político da medida
Lourival Sant’Anna avaliou que, caso a decisão tivesse exclusivamente um objetivo político, como o de fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro ou respaldar a corrente de direita no Brasil, ela poderia se mostrar ineficaz.
“Se o jogo político é reforçar a candidatura do Flávio Bolsonaro, reforçar a corrente de direita no Brasil, e isso é sim uma estratégia do Marco Rubio, então seria um tiro no pé, porque depois não haveria declaração formal e aí o governo Lula se aproveitaria dessa falha, dessa não confirmação”, afirmou.
Segundo ele, criar uma expectativa e depois frustrá-la resultaria no enfraquecimento da própria estratégia, dificultando identificar uma racionalidade clara por trás dessa tática.
Mistura de motivações
Américo Martins, por sua vez, defendeu que a decisão representa uma mistura de fatores políticos e de Estado.
Ele destacou que a atual administração dos EUA já havia designado outras entidades na América Latina como narcoterroristas, sem que isso gerasse grandes efeitos concretos até o momento — com exceção de episódios como afundamentos de navios e ameaças de ataque no México.
“No México, é uma situação muito mais complicada, com Donald Trump dizendo que os narcocartéis seriam o poder de fato no país, o que cria muitos problemas para o governo mexicano”, observou.
Américo também relatou que, segundo pessoas ligadas ao governo brasileiro com quem conversou, há a avaliação de que a movimentação do Departamento de Estado — associada a Marco Rubio e a Christopher Landau (vice-secretário de Estado dos EUA), descrito como o segundo no Departamento de Estado — representaria uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras.
“O governo brasileiro certamente acredita nisso. Se de fato é uma interferência relacionada à eleição ou não, é difícil de estabelecer, porque eles já fizeram isso em outros países”, ponderou.
Ele acrescentou que o grupo em questão também teria tentado influenciar eleições em outros lugares da América Latina, e que o Brasil, por ser um país de grande relevância, seria um alvo natural dessas iniciativas.
O analista ressaltou, no entanto, que não foi possível confirmar se essa seria de fato a motivação central da decisão.
PCC e CV terroristas: Quais as consequências da classificação dos EUA?

