Ao WW, o professor de Relações Internacionais da ESPM e Unifa Gunther Rudzit avaliou que a possibilidade de paz ou normalização diplomática entre Israel e os países do Golfo Pérsico, incluindo a Arábia Saudita, é nula no atual contexto do conflito no Oriente Médio.
O debate foi motivado pela pressão exercida pelo presidente americano, Donald Trump, para que países da região firmem os chamados Acordos de Abraão — acordos de normalização das relações entre nações árabes e Israel, considerados uma conquista diplomática de Trump durante seu primeiro mandato.
“O ataque terrorista inicial do Hamas foi feito essencialmente para evitar que a Arábia Saudita normalizasse suas relações com Israel”, lembrou Rudzit.
Segundo ele, havia indicações muito fortes de que essa normalização poderia ocorrer em janeiro de 2024.
Arábia Saudita se afasta da normalização
Com o início da guerra na região, a Arábia Saudita foi progressivamente se distanciando da perspectiva de um acordo com Israel.
Mais recentemente, o país assinou uma aliança militar com o Paquistão e declarou que não há como firmar qualquer normalização enquanto não existir um Estado palestino.
“Diante da postura do governo do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o Estado palestino não vai existir”, avaliou Rudzit.
Além da relação entre Israel e Arábia Saudita, Rudzit também descartou qualquer perspectiva de paz duradoura entre a Arábia Saudita e o Irã no Golfo Pérsico.
Para ele, o cenário aponta para um aprofundamento da instabilidade na região.
“Não vejo a mínima possibilidade de uma paz duradoura no Golfo entre Arábia Saudita e Irã. Por isso mesmo, a instabilidade vai ser muito mais forte daqui para frente”, concluiu o professor.

