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Mate orgânico aposta em rastreabilidade e ciclo de até seis anos

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Mate orgânico aposta em rastreabilidade e ciclo de até seis anos

A produção de erva-mate orgânica no Sul do Brasil passou a exigir ciclos cada vez mais longos de planejamento agrícola, rastreabilidade e controle técnico para atender o crescimento da demanda por bebidas naturais e produtos certificados.

No Paraná, uma das principais cadeias produtivas do setor leva até seis anos entre o desenvolvimento das mudas e a maturação completa da planta utilizada na fabricação de bebidas à base de mate.

O modelo tem ampliado a profissionalização do cultivo da Ilex paraguariensis, espécie nativa da América do Sul que dá origem ao tradicional chá-mate brasileiro e ao chimarrão gaúcho e argentino.

Um dos exemplos é com a rede MegaMatte, exemplo conhecido por produzir bebidas com base de mate orgânico em diversos estados brasileiros. O avanço da cadeia produtiva refletiu diretamente no consumo: foram mais de 500 mil litros vendidos apenas em 2025.

A principal matéria-prima utilizada pela rede vem da região de Ivaí, no Centro-Sul do Paraná, onde a fornecedora Viva Mate mantém uma estrutura verticalizada de produção, desde o viveiro de mudas até o processamento final da erva-mate.

Segundo o sócio da MegaMatte, Julio Monteiro, o crescimento do mercado exigiu maior previsibilidade da cadeia produtiva. “Quando falamos em orgânico e rastreável, não existe espaço para improviso”.

Ciclo longo exige planejamento no campo

A erva-mate possui desenvolvimento lento quando comparada a outras culturas agrícolas. Após o plantio, a planta leva entre dois e três anos para permitir a primeira colheita e só atinge maturidade plena a partir do sexto ano.

O ciclo prolongado exige planejamento financeiro, manejo contínuo e estabilidade produtiva para garantir abastecimento regular. O cultivo envolve monitoramento de solo, controle biológico e acompanhamento técnico permanente. A colheita é manual, permitindo seleção criteriosa das folhas e preservação da matéria-prima.
Após a colheita, a erva passa por secagem controlada e, no caso do mate tostado, por torra monitorada para definição de aroma, cor e perfil sensorial. O armazenamento também ocorre em ambiente com controle de temperatura e umidade.

Certificação internacional e rastreabilidade

A produção orgânica passa por auditorias conduzidas pela certificadora francesa ECOCERT e por empresas credenciadas no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

As inspeções incluem verificações no campo, auditorias após secagem e controle durante o envase, permitindo rastreabilidade completa dos lotes. Além do chá-mate tradicional, a cadeia também fornece extratos líquidos e secos concentrados utilizados na padronização das bebidas comercializadas nas lojas.

Segundo a MegaMatte, o mate orgânico já representa 15,2% do faturamento total da rede, índice que ultrapassa 16% durante o verão, período de maior consumo. Ao longo de 2025, foram vendidos mais de 1 milhão de copos de 500 ml da bebida.