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Julgamento Henry Borel: Médica diz que menino já chegou morto a hospital

Radar Olhar Aguçado(há 39 minutos)
Julgamento Henry Borel: Médica diz que menino já chegou morto a hospital

A médica pediatra Maria Cristina de Souza, responsável pelo primeiro atendimento a Henry Borel no hospital, afirmou durante o julgamento do caso que o menino já chegou sem vida à unidade. A sessão desta quarta-feira (27) completou o terceiro dia do Tribunal do Júri do homicídio da criança, no Rio de Janeiro.

Segundo a especialista, ao ser questionada pela acusação, a equipe realizou manobras de ressuscitação por cerca de 50 minutos, incluindo massagem cardíaca, aplicação de adrenalina e intubação, mas sem sucesso.

De acordo com a médica, a criança já não apresentava mais batimentos cardíacos, por isso não houve uso de desfibrilador. Ela também afirmou que a massagem cardíaca não poderia ter causado hemorragia interna.

Durante o depoimento, Maria Cristina disse ainda que Henry apresentava ferimentos no tórax, abdômen, punhos e coxas. Segundo ela, o estado físico do menino no hospital era o mesmo registrado nas imagens do elevador do condomínio Cidade Jardim.

A pediatra afirmou que a mãe de Henry, Monique Medeiros, aparentava estar em choque, enquanto o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a consolava.

O II Tribunal do Júri da Capital retomou, às 11h45 desta quarta-feira (27), o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e Monique Medeiros. Os trabalhos deste terceiro dia foram abertos com a previsão do depoimento do médico psiquiatra Rafael Bernadon Ribeiro.

O julgamento será retomado na manhã desta quinta-feira (28).

Retrospecto do segundo dia de julgamento

A sessão anterior, encerrada por volta das 2h desta terça-feira (26), durou mais de 16 horas e foi marcada pelas oitivas das testemunhas de acusação.

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O principal depoente foi o delegado Henrique Damasceno, titular da investigação na época do crime, que classificou as primeiras versões apresentadas pelos réus como uma “farsa ensaiada”.

Durante seu depoimento, Damasceno detalhou que perícias e a reprodução simulada dos fatos concluíram que as 23 lesões encontradas no corpo de Henry eram incompatíveis com a hipótese de acidente doméstico sustentada pela defesa.

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Além disso, o delegado citou mensagens recuperadas do celular da babá da criança que revelavam alertas enviados a Monique sobre agressões anteriores praticadas por Jairinho.

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    À esquerda Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry Borel • Arte/CNN

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    Monique Medeiros em audiência para ouvir testemunhas do processo sobre a morte do menino Henry Borel • Foto: MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Monique Medeiros em audiência para ouvir testemunhas do processo sobre a morte do menino Henry Borel • Foto: MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e acusada de omissão na morte de seu filho, instalou tornozeleira eletrônica e seguiu para a prisão domiciliar, conforme estabelecido pela Justiça • CNN

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    Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e acusada de omissão na morte de seu filho, instalou tornozeleira eletrônica e seguiu para a prisão domiciliar, conforme estabelecido pela Justiça • CNN

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    Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e acusada de omissão na morte do filho, instalou tornozeleira eletrônica e seguiu para a prisão domiciliar, conforme estabelecido pela Justiça • CNN

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    Prisão do ex-vereador Dr. Jairinho no Caso Henry Borel • ESTADÃO CONTEÚDO

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    Ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, em audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no centro do Rio de Janeiro • Foto: PAULO CARNEIRO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

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    Dr. Jairinho, namorado de Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, após prestar depoimento sobre a morte do garoto de 4 anos • Tânia Rêgo/Agência Brasil

Dinâmica do Tribunal do Júri

O destino de Jairinho e Monique será decidido por um Conselho de Sentença formado por sete jurados.

A sessão é presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro e a estimativa da promotoria é que o julgamento se estenda por um período de sete a dez dias, devido à complexidade das acusações e ao número de testemunhas arroladas.

O ex-vereador responde por homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

Já Monique Medeiros é julgada por homicídio por omissão qualificado, tortura, falsidade ideológica e fraude processual.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Jairinho causou as lesões fatais, enquanto a mãe se omitiu diante das agressões para manter o relacionamento com o então parlamentar.

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    Henry Borel em comemoração ao seu aniversário de 4 anos, em maio de 2020 • Foto: Arquivo Pessoal

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    Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março • Reprodução

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    Leniel Borel no documentário "Caso Henry Borel, A Marca da Maldade" • Divulgação

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    imagem de Henry Borel em ação em uma homenagem ao Dia das Crianças • Divulgação/Leniel Borel

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    À esquerda Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry Borel • Arte/CNN

Conclusão e próximas etapas

Caso os jurados decidam pela condenação e a pena aplicada seja superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos réus ainda no tribunal.

Além do depoimento do psiquiatra, o rito processual ainda inclui oitivas de outras testemunhas de defesa e acusação antes do interrogatório dos réus e dos debates orais finais.

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