A médica pediatra Maria Cristina de Souza, responsável pelo primeiro atendimento a Henry Borel no hospital, afirmou durante o julgamento do caso que o menino já chegou sem vida à unidade. A sessão desta quarta-feira (27) completou o terceiro dia do Tribunal do Júri do homicídio da criança, no Rio de Janeiro.
Segundo a especialista, ao ser questionada pela acusação, a equipe realizou manobras de ressuscitação por cerca de 50 minutos, incluindo massagem cardíaca, aplicação de adrenalina e intubação, mas sem sucesso.
De acordo com a médica, a criança já não apresentava mais batimentos cardíacos, por isso não houve uso de desfibrilador. Ela também afirmou que a massagem cardíaca não poderia ter causado hemorragia interna.
Durante o depoimento, Maria Cristina disse ainda que Henry apresentava ferimentos no tórax, abdômen, punhos e coxas. Segundo ela, o estado físico do menino no hospital era o mesmo registrado nas imagens do elevador do condomínio Cidade Jardim.
A pediatra afirmou que a mãe de Henry, Monique Medeiros, aparentava estar em choque, enquanto o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a consolava.
O II Tribunal do Júri da Capital retomou, às 11h45 desta quarta-feira (27), o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e Monique Medeiros. Os trabalhos deste terceiro dia foram abertos com a previsão do depoimento do médico psiquiatra Rafael Bernadon Ribeiro.
O julgamento será retomado na manhã desta quinta-feira (28).
Retrospecto do segundo dia de julgamento
A sessão anterior, encerrada por volta das 2h desta terça-feira (26), durou mais de 16 horas e foi marcada pelas oitivas das testemunhas de acusação.
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O principal depoente foi o delegado Henrique Damasceno, titular da investigação na época do crime, que classificou as primeiras versões apresentadas pelos réus como uma “farsa ensaiada”.
Durante seu depoimento, Damasceno detalhou que perícias e a reprodução simulada dos fatos concluíram que as 23 lesões encontradas no corpo de Henry eram incompatíveis com a hipótese de acidente doméstico sustentada pela defesa.
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Além disso, o delegado citou mensagens recuperadas do celular da babá da criança que revelavam alertas enviados a Monique sobre agressões anteriores praticadas por Jairinho.
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1 de 9À esquerda Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry Borel • Arte/CNN
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2 de 9Monique Medeiros em audiência para ouvir testemunhas do processo sobre a morte do menino Henry Borel • Foto: MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
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3 de 9Monique Medeiros em audiência para ouvir testemunhas do processo sobre a morte do menino Henry Borel • Foto: MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
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4 de 9Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e acusada de omissão na morte de seu filho, instalou tornozeleira eletrônica e seguiu para a prisão domiciliar, conforme estabelecido pela Justiça • CNN
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5 de 9Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e acusada de omissão na morte de seu filho, instalou tornozeleira eletrônica e seguiu para a prisão domiciliar, conforme estabelecido pela Justiça • CNN
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6 de 9Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e acusada de omissão na morte do filho, instalou tornozeleira eletrônica e seguiu para a prisão domiciliar, conforme estabelecido pela Justiça • CNN
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7 de 9Prisão do ex-vereador Dr. Jairinho no Caso Henry Borel • ESTADÃO CONTEÚDO
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8 de 9Ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, em audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no centro do Rio de Janeiro • Foto: PAULO CARNEIRO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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9 de 9Dr. Jairinho, namorado de Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, após prestar depoimento sobre a morte do garoto de 4 anos • Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Dinâmica do Tribunal do Júri
O destino de Jairinho e Monique será decidido por um Conselho de Sentença formado por sete jurados.
A sessão é presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro e a estimativa da promotoria é que o julgamento se estenda por um período de sete a dez dias, devido à complexidade das acusações e ao número de testemunhas arroladas.
O ex-vereador responde por homicídio qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Já Monique Medeiros é julgada por homicídio por omissão qualificado, tortura, falsidade ideológica e fraude processual.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Jairinho causou as lesões fatais, enquanto a mãe se omitiu diante das agressões para manter o relacionamento com o então parlamentar.
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1 de 5Henry Borel em comemoração ao seu aniversário de 4 anos, em maio de 2020 • Foto: Arquivo Pessoal
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2 de 5Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março • Reprodução
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3 de 5Leniel Borel no documentário "Caso Henry Borel, A Marca da Maldade" • Divulgação
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4 de 5imagem de Henry Borel em ação em uma homenagem ao Dia das Crianças • Divulgação/Leniel Borel
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5 de 5À esquerda Dr. Jairinho, à direita Monique Medeiros com o filho Henry Borel • Arte/CNN
Conclusão e próximas etapas
Caso os jurados decidam pela condenação e a pena aplicada seja superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos réus ainda no tribunal.
Além do depoimento do psiquiatra, o rito processual ainda inclui oitivas de outras testemunhas de defesa e acusação antes do interrogatório dos réus e dos debates orais finais.

