O governo de Minas Gerais decidiu flexibilizar as regras da privatização da Copasa após investidores estratégicos apresentarem propostas abaixo do piso esperado pelo Estado, segundo fontes ouvidas pela CNN. Novos documentos da operação, que devem ser divulgados, vão permitir que grupos interessados alterem ou retirem ofertas até 3 de junho e abrirão espaço para entrada de novos investidores na disputa pela companhia.
A reformulação ocorre após Aegea Saneamento e Equatorial Energia terem apresentado propostas consideradas inferiores ao valuation mínimo projetado pelo governo mineiro, aumentando dúvidas sobre a capacidade de o Estado concluir a operação nos termos inicialmente planejados.
Segundo fontes próximas ao processo, os documentos também vão divulgar oficialmente o preço mínimo da oferta. A estratégia do governo é colocar um valor de referência “na tela” para aumentar a pressão sobre investidores estratégicos e estimular melhora nas propostas apresentadas. Nos bastidores, agentes do mercado avaliam que a medida mira principalmente a Aegea e tenta reabrir espaço para eventual movimentação de outros grupos que ficaram fora da etapa inicial, incluindo a Sabesp, que desistiu anteriormente da disputa.
Além de permitir mudanças nas propostas já protocoladas, a nova modelagem também vai autorizar que investidores de referência que não participaram da fase inicial possam entrar posteriormente na operação.
A precificação da oferta foi mantida para 12 de junho.
Nos bastidores, a flexibilização das regras é interpretada como uma tentativa do governo de ampliar concorrência e evitar o risco de uma oferta esvaziada ou com arrecadação abaixo da esperada.
O receio dentro do próprio mercado é que, sem competição suficiente entre investidores estratégicos, o governo mineiro seja obrigado a migrar para um modelo de venda pulverizada das ações, sem definição de um investidor âncora para assumir o comando estratégico da companhia.
Nesse cenário, o Estado reduziria sua participação acionária por meio da oferta subsequente de ações, mas sem transferir efetivamente o controle operacional da empresa a um grupo privado específico.
A hipótese preocupa agentes financeiros envolvidos na operação porque reduziria parte dos ganhos normalmente associados a privatizações clássicas, como aumento de eficiência operacional, mudanças de governança e aceleração de investimentos.
