A Organização das Nações Unidas afirmou nesta quinta-feira (28) estar “profundamente alarmada” com o impacto da escalada das ações militares de Israel no Líbano, após dezenas de mortes, incluindo crianças, terem sido relatadas pelas autoridades libanesas.
“Estamos profundamente alarmados com o impacto devastador da intensificação das operações militares israelenses e das ordens de deslocamento da população. É necessária uma desescalada urgente”, publicou o Escritório Regional de Direitos Humanos da ONU para o Oriente Médio e Norte da África em sua conta na rede social X.
A ONU também afirmou que “informações preliminares” indicam que numerosos civis, incluindo mulheres e crianças, estão entre as vítimas dos mais recentes ataques israelenses.
A organização pediu que a população e a infraestrutura civil sejam protegidas.
A declaração foi feita no mesmo dia em que o Ministério da Saúde do Líbano informou que os ataques israelenses mataram pelo menos 34 pessoas e feriram outras 77 na quarta-feira (27), em um dos dias mais violentos desde o início do cessar-fogo no país, em abril.
Ataques em meio ao cessar-fogo
Os bombardeios tensionam ainda mais o cessar-fogo anunciado em 16 de abril e estendido por 45 dias em 15 de maio, que visava interromper os combates entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah, e ocorreram no mesmo dia em que o Irã alegou que os Estados Unidos violaram uma trégua separada ao atacar o sul do país.
Duas fontes afirmaram na terça-feira que as forças armadas israelenses expandiram suas operações terrestres no sul do Líbano, ultrapassando a zona de segurança, mas não forneceram mais detalhes sobre a extensão do avanço além da chamada Linha Amarela.
Essa linha, distinta da “Linha Azul” demarcada pela ONU (Organização das Nações Unidas), que marca a fronteira entre o Líbano e Israel após a retirada israelense em 2000, faz parte de uma zona tampão proposta que se estende de 5 km a 10 km para o sul do Líbano.
As forças armadas israelenses ordenaram que os moradores não retornassem a dezenas de vilarejos na zona, e suas tropas têm destruído casas na região.
Um oficial militar israelense afirmou que as forças armadas estavam “operando de forma direcionada além da Linha de Defesa Avançada, a fim de eliminar ameaças diretas aos cidadãos do Estado de Israel” e aos soldados israelenses, “em conformidade com as diretrizes da cúpula política”.
Netanyahu declarou na segunda-feira (25) que Israel intensificaria seus ataques contra o Hezbollah, enquanto um oficial americano afirmou que o grupo apoiado pelo Irã ignorou os alertas para interromper os ataques que corriam o risco de prejudicar as negociações para o fim da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O Hezbollah afirmou na terça-feira (26) ter atacado forças e tanques israelenses que avançavam em direção à cidade de Zawtar al-Sharqiya, no sul do Líbano, com drones explosivos, foguetes e artilharia.
O Ministério da Saúde do Líbano afirma que o número total de mortos na ofensiva israelense desde 2 de março, quando o Hezbollah lançou projéteis contra Israel em resposta ao início da guerra com o Irã, chegou a 3.213 mortos e 9.737 feridos até 26 de maio.
O Exército israelense informou que 10 de seus soldados foram mortos desde o cessar-fogo de 16 de abril, seis deles por drones explosivos do Hezbollah.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que pelo menos 608 pessoas no Líbano foram mortas em ataques israelenses desde o cessar-fogo.
O Hezbollah não divulgou números sobre suas próprias baixas.

