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Análise: A disputa política e econômica pelo fim da escala 6×1

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Análise: A disputa política e econômica pelo fim da escala 6×1

A aprovação do texto-base do projeto que prevê o fim da escala 6×1 na comissão especial gerou debate entre especialistas, que apontam falhas técnicas na proposta e alertam para potenciais impactos negativos em diversos setores da economia brasileira.

Setores produtivos se organizaram previamente para criticar o avanço da medida, citando consequências econômicas e sociais significativas.

O sociólogo e professor aposentado da USP José Pastore avaliou que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresenta problemas técnico-legislativos que podem resultar em uma avalanche de ações judiciais.

“Existem tantos pontos tecnicamente defeituosos na PEC que isso é um convite para o Poder Judiciário”, afirmou Pastore, destacando que o texto utiliza expressões vagas como “excepcionalmente” e “a lei poderá ajustar”, sem delimitar condições claras para sua aplicação.

Setores afetados e peculiaridades das jornadas

O professor destacou que diferentes setores da economia possuem jornadas e escalas já ajustadas por meio de negociações coletivas ao longo de anos. Na área da saúde, por exemplo, a escala 12 por 36 — em que o profissional trabalha 12 horas e descansa 36 — é amplamente utilizada e considerada benéfica para os pacientes internados.

“Para o paciente hospitalizado é melhor ter um enfermeiro de 12 horas contínuo do que ficar trocando turno de enfermagem cada 6 ou 8 horas”, explicou o especialista. Segundo ele, a PEC proíbe esse tipo de acordo individual, o que desorganizaria o setor.

O impacto também se estenderia ao setor agrícola e ao de transporte urbano. Pastore citou a pecuária leiteira, em que a jornada é dividida em função dos horários de ordenha das vacas, e as empresas de ônibus urbano, que concentram a operação nos horários de pico da manhã e da tarde. “Esses detalhes você não pode legislar”, afirmou.

O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, também chamou atenção para o impacto sobre pequenas empresas: segundo estudos recentes, 58% das empresas brasileiras têm até cinco funcionários, segmento com menor margem de manobra para absorver mudanças de escala e jornada.

Ausência de estudos de impacto e o fenômeno da “pejotização”

A âncora da CNN Thais Herédia destacou que, até o momento, nem o governo nem o parlamento apresentaram estudos elaborados sobre os impactos econômicos da medida.

“Quem fez estudo foi o setor privado, foi a academia, os escritórios de advocacia, mas o parlamento e o governo, especialmente a equipe econômica, ninguém tem um estudo para dizer qual vai ser o impacto”, afirmou. Segundo ela, integrantes do governo chegam a questionar as projeções dos empresários, considerando-as exageradas.

Rittner levantou ainda a questão da “pejotização” — fenômeno em que trabalhadores são contratados como pessoas jurídicas em vez de empregados formais. A PEC prevê que, para salários acima de duas vezes e meia o teto do INSS, equivalente a R$ 21 mil, não haveria controle de jornada.

Para José Pastore, a medida não seria suficiente para frear o fenômeno. Esse fenômeno da pejotização está em andamento por vários motivos. Um deles é o excesso de encargos — o trabalho é muito tributado no Brasil”, disse, acrescentando que uma contratação formal representa 102% do salário em encargos.

Modelo alemão como referência para proteção de autônomos

Pastore defendeu a criação de novas modalidades de proteção para trabalhadores autônomos, citando como referência uma experiência alemã. No modelo descrito, a contribuição previdenciária de um trabalhador freelancer é dividida em três partes: o próprio trabalhador, o contratante e o governo.

“Ele está protegido e o governo está protegido porque tem recursos da Previdência que estão entrando”, explicou. Para o especialista, iniciativas desse tipo poderiam reduzir a informalidade e o uso irregular de contratos de pessoa jurídica no Brasil.

Ao ser questionado sobre o que precisaria ser reformado na legislação trabalhista, Pastore ressaltou os avanços da reforma de 2017, especialmente o princípio de que o negociado prevalece sobre o legislado em 15 direitos específicos.

Ele rebateu a ideia de que houve revogação de direitos com a reforma, argumentando que as regras anteriores permanecem válidas quando não há negociação. “Se você proíbe essa regra do negociado prevalecer sobre o legislado, você dá um retrocesso grande na área trabalhista que o Brasil não merece”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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