O PL (Partido Liberal) estuda uma estratégia para alongar a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala de trabalho 6×1 no Senado. A ideia discutida por integrantes da sigla é fazer com que a proposta passe por várias comissões antes de chegar ao plenário da Casa Alta.
Lideranças da oposição argumentam não haver uma obrigatoriedade de que o texto passe logo por uma comissão especial. Portanto, há espaço para que a proposta tramite por ao menos duas ou três comissões temáticas antes do plenário.
A estratégia em análise inclui encaminhar a PEC para colegiados como a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e outras comissões ligadas a assuntos econômicos e trabalhistas, o que ampliaria o tempo de discussão e votação da matéria.
Outra possibilidade é usar o rito de análise de emendas para postergar a tramitação, inclusive fazendo com que o texto tenha que voltar à análise da Câmara, eventualmente.
A intenção é não deixar que a PEC fosse promulgada a tempo de começar a entrar em vigor antes do primeiro turno eleitoral, no início de outubro, como planeja o Planalto.
Senadores do PT avaliam que o texto tem forte apelo popular e já é uma das principais bandeiras eleitorais do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de partidos de esquerda. Por isso, a avaliação é de que um avanço rápido da proposta poderia ampliar a pressão sobre parlamentares da oposição.
Já os senadores do PL argumentam que a proposta tem potencial de impacto sobre empresas e geração de empregos e, por isso, precisaria de uma análise mais aprofundada antes da votação em plenário.
A PEC ainda está em análise na Câmara, com previsão de ser aprovada na comissão especial nesta quarta (27) e votada no plenário da Casa até quinta (28). Como a perspectiva é de uma aprovação rápida, senadores e setores afetados já começaram a discutir oficialmente o assunto, já que o Senado será o próximo a analisar a proposta.
Nesta terça, lideranças do PL participaram de reunião entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e representantes do empresariado industrial. A tendência é de que Alcolumbre siga um rito menos acelerado do que o da Câmara, mas também sem inviabilizar a aprovação da proposta ainda neste ano.

