O escritório de advocacia que representa Andrés Sánchez, ex-presidente do Corinthians, publicou uma nota na manhã desta quarta-feira (27). A equipe jurídica manifestou “absoluto inconformismo” com a decisão que resultou na expulsão de Andrés do quadro associativo do clube paulista.
O escritório afirmou que tomará “medidas judiciais cabíveis” para buscar a nulidade da decisão. O Corinthians não se manifestou sobre a nota da defesa do ex-presidente.
Segundo a equipe jurídica, o processo que culminou na expulsão foi “marcado por graves irregularidades”. As críticas foram por Leonardo Pantaleão presidir a sessão da Comissão de Ética, além da votação aberta e nominal “em desconformidade com o dispositivo do rito previsto” com o estatuto do clube.
Leia a nota
O escritório Fernando José da Costa – Advogados, que representa Andrés Navarro Sánchez, manifesta absoluto inconformismo com a deliberação aprovada pelo Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista, que determinou a expulsão de seu cliente do quadro associativo do clube.
A decisão foi proferida em procedimento marcado por graves irregularidades, sendo inadmissível que o Dr. Leonardo Pantaleão tenha presidido a Comissão de Ética responsável pela elaboração do parecer de expulsão e, posteriormente, presidido a sessão do Conselho Deliberativo que submeteu esse mesmo parecer à votação.
Também é grave a realização de votação aberta e nominal, em desconformidade com o dispositivo do rito previsto no Estatuto Social do clube, indicado no edital de convocação, que prevê expressamente o escrutínio secreto.
As irregularidades foram tão evidentes que suscitaram questionamentos por conselheiros durante a própria sessão.
As violações constatadas não se limitam ao caso de Andrés Sánchez, mas representam um precedente preocupante para todos os associados, dirigentes e conselheiros do clube, ao fragilizar garantias mínimas de defesa previstas no próprio Estatuto Social.
Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para o reconhecimento das nulidades do procedimento e a plena observância do devido processo legal.
A expulsão
Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, foi expulso do quadro de sócios do clube na segunda-feira (25). A decisão final partiu dos conselheiros, que se reuniram no Parque São Jorge para definir o tema por meio de votação.
Ao todo, 112 conselheiros votaram a favor da expulsão de Andrés, enquanto 49 se posicionaram contra. O encontro teve seis abstenções.
O Conselho Deliberativo seguiu o parecer da Comissão de Ética, que, por unanimidade, recomendou a expulsão de Sanchez.
Andrés foi investigado internamente por gastos pessoais com o cartão corporativo durante sua última gestão, entre 2018 e 2020.
Entenda o caso
Em julho de 2025, o ex-presidente admitiu ter utilizado o cartão do clube para gastos pessoais no fim de seu último mandato, em 2020. O conselheiro do Timão reembolsou posteriormente o valor de R$ 15 mil.
Na época, Andrés alegou ter se confundido por possuir um cartão do mesmo banco utilizado pelo clube. Segundo ele, o departamento financeiro do Corinthians não o avisou sobre a necessidade de realizar o reembolso.
Ainda em 2025, o perfil “@Prmalaoficial”, na rede social X, divulgou uma fatura do cartão de crédito da presidência do Corinthians. No documento, aparecem compras realizadas em Tibau do Sul. Os gastos incluem passeio de barco, hospedagem em hotel e refeições em restaurante, totalizando R$ 9.416.
Em outubro de 2025, Andrés pediu afastamento do Conselho Deliberativo e do Cori (Conselho de Orientação). O empresário, que ocupa cargo vitalício no órgão colegiado, foi denunciado pelo Ministério Público por apropriação indébita continuada, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário.
O promotor Cássio Roberto Conserino, em coletiva de imprensa, afirmou que Andrés utilizou o equivalente a R$ 480 mil do Corinthians para uso pessoal. O Ministério Público cobra um reembolso de cerca de R$ 1,1 milhão, entre devolução dos valores e indenização por danos morais.
Vale lembrar que o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli também foi denunciado pelo Ministério Público.
A 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo inicialmente rejeitou as acusações de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O MP, porém, entrou com um pedido de suspeição do caso por entender que a juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro não atuou com imparcialidade.
Andrés segue cumprindo algumas medidas cautelares impostas pela Justiça, como a proibição de contato com testemunhas e dirigentes do Corinthians, a proibição de deixar o país sem autorização judicial e o bloqueio de contas de até R$ 480 mil.
Andrés Sanchez pelo Corinthians
Andrés presidiu o Corinthians em duas oportunidades. O primeiro mandato foi de outubro de 2007 a fevereiro de 2012. Já o segundo foi de fevereiro de 2018 a janeiro de 2021.
Como mandatário do Timão, conquistou o Campeonato Brasileiro da Série B de 2008, o Campeonato Paulista de 2009, 2018 e 2019, a Copa do Brasil de 2009 e o Campeonato Brasileiro da Série A de 2011.
Se o primeiro mandato ficou marcado pelos títulos e a contratação de Ronaldo Fenômeno, o segundo foi duramente criticado por conta do desempenho esportivo ruim e o aumento considerável da dívida do clube.
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