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Copel cobra regras para viabilizar hidrelétricas reversíveis no Brasil

Radar Olhar Aguçado(há 40 minutos)

O avanço das usinas hidrelétricas reversíveis no Brasil ainda esbarra na criação de regras específicas para o armazenamento de energia, afirmou nesta quarta-feira (27) o vice-presidente de estratégia, novos negócios e transformação digital da Copel, Diogo Mac Cord.

Segundo ele, apesar do potencial brasileiro para esse tipo de empreendimento, a ausência de regulamentação impede que projetos saiam do papel. “Mesmo se a gente quiser fazer uma usina reversível, não conseguimos, pois não existem regras”, disse em evento da Copel promovido pela Megawat.

As hidrelétricas reversíveis funcionam com dois reservatórios em diferentes níveis de altitude. Em momentos de sobra de energia, a água é bombeada para o reservatório superior e, nos períodos de maior demanda, retorna passando por turbinas para gerar eletricidade. O modelo é tratado pelo setor como uma espécie de “bateria natural”.

Além da regulamentação do setor elétrico, o executivo apontou desafios adicionais para a implantação das reversíveis no Brasil, incluindo regras de uso da água, licenciamento ambiental e articulação com diferentes órgãos públicos, como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Mac Cord avalia ,que o debate sobre armazenamento ganhou importância com o crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes, especialmente solar e eólica, e com o aumento dos episódios de cortes de geração determinados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), conhecido pelo termo “curtailment” para preservar a segurança da rede.

Segundo ele, o Brasil precisa estruturar um marco regulatório capaz de contemplar diferentes tecnologias de armazenamento, incluindo hidrelétricas reversíveis e baterias químicas (BESS). Na avaliação do executivo, o país não deveria discutir leilões voltados exclusivamente para baterias, mas mecanismos focados em armazenamento de energia de forma ampla.

Não devemos falar em leilões de baterias, mas, sim, leilões de armazenamento para avaliar as melhores tecnologias para o sistema”, afirmou.

Mac Cord ressaltou que as próprias hidrelétricas brasileiras já exercem parcialmente essa função ao oferecer flexibilidade operativa ao sistema elétrico, embora não sejam remuneradas adequadamente por esse atributo.

“Os reservatórios já atuam como baterias naturais do sistema, mas não são baterias nem são remunerados adequadamente para isso”, disse.

Apesar do potencial das reversíveis, o executivo destacou que as baterias químicas vêm avançando mais rapidamente no mundo devido ao menor custo inicial de implantação. Segundo ele, o custo por megawatt instalado das baterias chega a ser cerca de um terço inferior ao das usinas reversíveis. Em contrapartida, afirmou que as hidrelétricas reversíveis apresentam vida útil significativamente maior.

A cobrança de Mac Cord ocorre em um mesmo contexto em que o governo federal avalia que as usinas hidrelétricas reversíveis devem ganhar espaço no planejamento energético brasileiro como alternativa para dar mais flexibilidade e resiliência ao sistema elétrico diante do avanço das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

*O repórter viajou a convite da Copel

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