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Violência contra a mulher: 64% dos casos ocorrem no ambiente familiar

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Violência contra a mulher: 64% dos casos ocorrem no ambiente familiar

O Brasil registrou 293.842 notificações de violência não letal contra mulheres nos serviços de saúde em 2024. Do total, 64% dos casos foram registrados dentro do ambiente familiar, segundo dados do “Atlas da Violência 2026”, estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), divulgado na manhã desta terça-feira (26).

Quando o recorte se volta somente para os casos de agressão, cerca de 79,9% (150.211) das ocorrências aconteceram dentro da própria residência da vítima. Na pesquisa, a violência doméstica é dividida em: “múltipla, negligência, violência física, violência psicológica, violência sexual, outro e NI (não informado)”.

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“Os dados reforçam a ideia de que a residência, longe de ser um espaço seguro, constitui o principal lócus de risco para a mulher […] evidenciando que a violência tende a se manifestar em ambientes de convivência íntima e contínua”, aponta a pesquisa.

Reincidência da violência

Outro dado que chama a atenção no levantamento é sobre a continuidade das agressões. Ainda no contexto da violência doméstica, 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde em 2024 já haviam sofrido violência da mesma natureza anteriormente.

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De acordo com o estudo, a sustentação do ciclo envolve estratégias de controle e isolamento por parte do agressor, o que amplia a dependência da vítima e dificulta o rompimento do vínculo.

“Nesse contexto, não é incomum que mulheres transitem reiteradamente pelos serviços de saúde após episódios de violência, sem que haja uma interrupção efetiva da dinâmica abusiva”, indica o estudo.

Perfil das vítimas

A violência não atinge todas as mulheres da mesma forma, e portanto, atravessa marcadores raciais e etários. As mulheres negras são as mais vulneráveis. Elas representam 58,6% das vítimas de violência doméstica no sistema de saúde e possuem uma taxa de homicídios 66,7% superior à de mulheres não negras.

A pesquisa aponta também altos índices de violência doméstica com relação a dois grupos: meninas de 0 a 9 anos (16,7% das vítimas), majoritariamente atingidas pelo grupo de violência “negligência”, e, em seguida, estão as mulheres jovens de 25 a 29 anos (11%), onde a violência física passa a ser a principal manifestação. 

“A partir dos 15 anos e até os 69 anos, a violência física impera como a manifestação mais comum da violência contra as mulheres, frequentemente associada a contextos de relações íntimas, e acompanhada por uma alta proporção de violência múltipla, indicando que diferentes formas de agressão tendem a ocorrer de maneira simultânea”, conclui o levantamento.