Rogéria Bolsonaro desponta como a principal aposta do PL para disputar uma das vagas no Senado pelo Rio de Janeiro em 2026. A decisão final, segundo apuração de Tainá Falcão para o Bastidores CNN desta terça-feira (26), ficará nas mãos de Jair e Flávio Bolsonaro.
A movimentação ocorre em meio à crescente pressão interna do partido para que o ex-governador Cláudio Castro seja descartado da disputa ao Senado. Integrantes do PL estabeleceram o prazo de 20 de junho para que uma definição seja tomada, a fim de evitar que a indefinição contamine as articulações políticas no estado.
A preferência não se baseia apenas no desejo do filho, mas também em dados de pesquisas recentes. Tainá cita o levantamento feito pelo Paraná Pesquisas em abril, que mostrou Benedita da Silva (PT) em primeiro lugar na corrida ao Senado, com Castro tecnicamente empatado na sequência.
Em um cenário sem o ex-governador, Rogéria aparece com 28,1% das intenções de voto, ficando atrás apenas de Benedita, ou seja, no mesmo patamar de votos que Castro registrava.
Ainda assim, Flávio Bolsonaro tem evitado defender publicamente o nome da mãe para não gerar desconforto dentro de seu grupo político no Rio de Janeiro. Outro nome citado para o espaço é Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, embora ele não seja filiado ao PL.
Situação de Castro
Há uma avaliação entre os dirigentes do PL de que Castro precisa concentrar esforços em sua defesa diante de duas operações policiais, uma relacionada à refinaria Refit e outra, deflagrada na manhã desta terça-feira, ao caso Master.
A orientação, de acordo com aliados de Flávio Bolsonaro, é que o ex-governador se dedique à sua situação jurídica antes de insistir em uma pré-candidatura.
Apesar da pressão interna, integrantes do partido afirmam que Castro será ouvido antes de qualquer decisão definitiva, devendo conversar com Flávio Bolsonaro e com o presidente estadual do PL, o deputado federal Altineu Côrtes.
Tainá relembra que, na operação policial anterior, Castro havia sido enfático: “Eu sou candidato, eu sou o primeiro nas pesquisas, por que eu vou desistir?”. No entanto, o cenário político ao seu redor se deteriorou com o avanço das investigações.
Centrão e articulações em torno do palanque
Enquanto o PL aguarda uma definição sobre Castro, dirigentes do Centrão já entraram em campo para sondar possibilidades. Candidatos que pretendem disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados e querem subir no palanque de Flávio Bolsonaro manifestam resistência em aparecer ao lado do ex-governador.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, tem buscado parlamentares da direita no Rio de Janeiro para discutir opções de palanque no estado, aproximando-se do PL de Jair Bolsonaro.
Paralelamente, o partido monitora o impacto do vazamento de áudios de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro por meio de pesquisas internas.
Caso o desgaste se prolongue, avalia-se que seria mais viável para Flávio tentar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro e lançar outro nome para a disputa presidencial. A possibilidade é negada por Valdemar Costa Neto e por Jair Bolsonaro, mas permanece como plano de fundo nas articulações do partido.

