Autoridades do Irã retornaram ao país nesta terça-feira (26) após reuniões com mediadores na capital do Catar, Doha, enquanto as negociações entre Teerã e Washington seguem avançando lentamente.
A delegação — composta pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati — “retornou ao país há algumas horas”, segundo a agência estatal Islamic Republic of Iran Broadcasting.
Representantes do Catar e do Irã discutiram principalmente os fundos congelados do Irã, informou também nesta terça a agência semioficial Fars.
As severas sanções dos Estados Unidos e o conflito agravaram a crise econômica iraniana, com Teerã defendendo o desbloqueio imediato de bilhões de dólares em ativos mantidos em bancos no exterior.
Caso Teerã e Washington cheguem a um acordo sobre a proposta em discussão, ativos iranianos no valor de US$ 24 bilhões poderão ser liberados, informou a agência semioficial Tasnim.
No entanto, um alto funcionário do governo dos EUA disse à CNN no fim de semana que o desbloqueio dos ativos iranianos ocorrerá apenas após a reabertura do Estreito de Ormuz.
A delegação iraniana teve conversas “geralmente positivas” em Doha, informou a Tasnim, enquanto as partes negociadoras tentam resolver os principais pontos de divergência em um memorando com o objetivo de encerrar o conflito.
Relembre como começou a guerra no Irã
No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque “de grande escala” ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era “defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”.
Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.
Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.
Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.
O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?

