A exportação de produtos com baixo valor agregado foi 15 vezes maior do que a venda de itens de alta tecnologia em 2025, segundo levantamento publicado nesta terça-feira (26) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
A partir de dados da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), a entidade aponta que foram exportados US$ 9,1 bilhões em produtos de “alta tecnologia”, enquanto os de “menor intensidade tecnológica” somaram US$ 130,7 bilhões no ano passado.
As exportações de produtos de alto valor agregado tiveram alta de 7,7% em comparação a 2024.
No entanto, esse segmento representou apenas 2,7% do valor total comercializado com o mundo, enquanto mercadorias industrializadas com baixo valor agregado responderam por 37,5% de tudo que foi vendido pelo Brasil em 2025.
Segundo a CNI, este cenário de desigualdade entre as características da pauta de exportação impõe “riscos à competitividade brasileira” no mercado global.
“Um crescimento econômico com qualidade depende do avanço em segmentos de média-alta e alta intensidade tecnológica. Esse movimento é fundamental para fortalecer a inserção internacional da indústria brasileira”, disse, em nota, a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri.
Produção nacional insuficiente
O levantamento da CNI aponta, também, outro ponto de dificuldade para a o setor industrial do Brasil: a incapacidade de atender a toda demanda interna de consumo.
De acordo com a Confederação, o país teve um déficit no comércio industrial – a diferença entre a importação e a exportação de produtos manufaturados – de US$ 71,3 bilhões em 2025.
O saldo negativo entre compras e vendas internacionais foi o maior já registrado em quase 30 anos, desde o início da série histórica em 1997.
Em termos percentuais, o volume de itens comprados do exterior aumentou 6,1% em comparação a 2024.
Segundo a CNI, esses números indicam que, embora tenha havido crescimento no patamar de consumo da economia brasileira em 2025, tal alta foi sustentada “majoritariamente por produtos importados”.
“O crescimento da importação reforça as dificuldades estruturais da indústria brasileira em atender, com produção interna, ao avanço do consumo”, completou a CNI.
*Sob supervisão de João Nakamura
85% da indústria brasileira pratica economia circular, aponta CNI

