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Tecnologia e produtividade redesenham agenda da construção

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A indústria da construção encerrou mais uma edição do ENIC (Encontro Internacional da Indústria da Construção) com uma agenda marcada por discussões sobre tecnologia, produtividade e desafios estruturais da atividade.

Realizado entre 19 e 21 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, o encontro promovido pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) reuniu mais de 2 mil participantes inscritos em uma programação com 145 painéis, consolidando o evento como um espaço de diálogo entre empresários, especialistas, autoridades públicas e lideranças do segmento.

Ao longo de três dias, a programação abordou temas que hoje concentram parte das discussões da indústria da construção, como impactos da reforma tributária, mudanças na jornada de trabalho, acesso a financiamento, industrialização, sustentabilidade e transformação digital. O encontro também combinou debates técnicos, rodadas de negócios, workshops e demonstrações práticas de soluções que já começam a alterar a dinâmica dos canteiros de obras.

“Nós atingimos todos os objetivos aqui, de realizar um ENIC combinando conteúdo e área de exposição para que a nossa cadeia produtiva e os próprios empreendedores pudessem apresentar suas inovações e as tendências de futuro”, avaliou Renato Correia, presidente da CBIC.

A CBIC já anunciou a próxima edição do encontro, marcada para os dias 11 a 13 de maio de 2027, novamente no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Tecnologia sai do discurso e chega ao canteiro

Um dos temas mais recorrentes da programação foi a transformação tecnológica da construção. Inteligência artificial, automação, industrialização, plataformas digitais e novas ferramentas voltadas à produtividade apareceram em diferentes painéis como caminhos para reduzir custos, ampliar eficiência e acelerar processos.

Além das discussões, o evento abriu espaço para workshops e demonstrações práticas de tecnologias já aplicadas à atividade, incluindo robôs, impressoras 3D e soluções voltadas à modernização dos canteiros.

Em uma área de cerca de 6 mil metros quadrados, o ENIC reuniu salas de conteúdo, rodadas de negócios e estandes de 24 marcas ligadas à cadeia produtiva da construção, combinando debates técnicos e espaços voltados à apresentação de soluções e tecnologias.

As discussões também ampliaram o olhar sobre competitividade e desenvolvimento de longo prazo, abordando tendências globais e oportunidades para o mercado brasileiro.

Mão de obra expõe desafio que vai além da tecnologia

Se a inovação ocupou parte importante da agenda, a discussão sobre pessoas apareceu como outro eixo central do encontro.

A dificuldade para formar, atrair e reter profissionais qualificados, especialmente engenheiros e mão de obra especializada, foi apontada como um dos principais desafios enfrentados atualmente pela indústria da construção. Em um cenário de aumento da atividade e mudanças aceleradas, representantes do segmento destacaram que a modernização depende não apenas da adoção de novas ferramentas, mas também da preparação de profissionais para novas demandas.

A necessidade de ampliar produtividade também apareceu associada à redução de gargalos históricos e à busca por modelos de trabalho mais eficientes.

Burocracia e ambiente regulatório entram na agenda

Além das discussões sobre tecnologia e produtividade, o encontro reforçou gargalos considerados históricos para a construção. Entre eles, a burocracia ligada a processos de licenciamento, emissão de alvarás e autorizações necessárias para a execução de obras.

A avaliação apresentada por representantes da indústria é que a lentidão desses processos continua entre os principais entraves para acelerar investimentos e novos projetos. O tema apareceu tanto em painéis técnicos quanto nas conversas entre empresários e representantes do poder público.

Durante o encontro, representantes da indústria também defenderam medidas para acelerar processos ligados à emissão de licenças, alvarás e autorizações considerados estratégicos para a execução de obras.

Jornada de trabalho e custos entram em debate

Outro tema que mobilizou discussões foi a possibilidade de mudanças na jornada de trabalho, especialmente em relação ao debate sobre o fim da escala 6×1, atualmente em discussão no Congresso Nacional.

Segundo estimativas apresentadas durante o encontro, alterações no modelo atual poderiam elevar em cerca de 10% os custos da construção, ampliando pressões sobre empresas que já enfrentam desafios relacionados à contratação de profissionais e ao aumento de despesas operacionais.

O financiamento habitacional também apareceu entre os temas centrais da programação. As discussões passaram por instrumentos de crédito, recursos do FGTS e perspectivas para programas voltados à habitação popular, em um momento em que a indústria busca ampliar o acesso à moradia e sustentar o ritmo de novos empreendimentos.

Networking e negócios ganham protagonismo

A edição deste ano também ampliou espaço para conexões comerciais e troca de experiências entre diferentes segmentos da construção. Rodadas de negócios com alcance internacional, realizadas pela CBIC em parceria com a ApexBrasil, também fizeram parte da programação.

Para a CBIC, um dos diferenciais do encontro foi a capacidade de reunir lideranças e tomadores de decisão em um mesmo ambiente.

“O ENIC tem uma característica muito interessante: é um evento de altíssimo nível, com empresários, executivos e pessoas que têm capacidade de definir os rumos do setor”, afirmou Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente executivo da CBIC.

Entre os momentos de maior repercussão da programação esteve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro, acompanhado por ministros e outras autoridades. Durante a agenda do evento, lideranças da indústria da construção apresentaram demandas consideradas prioritárias para a atividade, incluindo questões ligadas a produtividade, custos, mão de obra e ambiente regulatório.

A programação também incluiu a entrega do Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade, um dos destaques do encerramento do encontro.

Mais do que apresentar tendências, a edição deste ano reuniu discussões sobre produtividade, tecnologia, qualificação profissional e ambiente regulatório — temas que hoje aparecem entre as prioridades da indústria da construção. Ao longo de três dias, o ENIC funcionou como um retrato das pautas que vêm mobilizando empresas e lideranças do segmento.

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