Um novo vídeo de uma câmera de segurança, obtido pela CNN Brasil, mostra o momento em que a estudante Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos, é atropelada por uma caminhonete em Ipanema, na zona Sul do Rio de Janeiro.
A gravação, com cerca de dois minutos de duração, mostra que o cruzamento estava movimentado no momento do acidente, ocorrido por volta das 16h do último dia 16 de maio.
Nas imagens, Mariana aparece parada na calçada ao lado da mãe, a diplomata Ana Patrícia Neves Abdul Hak, quando o veículo invade a área de pedestres e atinge as vítimas.
Veja abaixo:
Após o impacto, a mãe da jovem é arremessada, enquanto Mariana permanece no centro da cena. Em seguida, pessoas que estavam próximas correm para prestar socorro.
O atropelamento aconteceu no cruzamento das ruas Visconde de Pirajá e Vinícius de Moraes. A jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte. A mãe dela e um outro homem atingido no acidente sobreviveram.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil do Rio de Janeiro aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar as causas do acidente.
O motorista da caminhonete JAC T140, identificado como Lucas, de 21 anos, afirmou em depoimento que o volante travou e os freios falharam antes do veículo subir na calçada.
Segundo a polícia, a versão será confrontada com análises técnicas do veículo e das imagens de câmeras de segurança.
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1 de 5O vídeo começa às 16:58:39 do dia 16/05/2026. A rua está com tráfego moderado de veículos e muitos pedestres circulando pelas calçadas • Reprodução
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2 de 5A caminhonete JAC T140, cor branca, ano 2024, avança pela pista da esquerda. • Reprodução
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3 de 5A jovem Mariana Tanaka Abdul Hak, de 20 anos,estava acompanhada da mãe. Elas e um outro homem seriam atropelados segundos depois. • Reprodução
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4 de 5O policial militar relatou que não havia marcas de frenagem no asfalto no local do acidente. • Reprodução
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5 de 5O motorista alegou que o veículo, que é elétrico, apresentou uma falha técnica onde a direção travou e o freio não funcionou, impedindo-o de mudar de faixa e fazendo-o subir na calçada. • Reprodução
Dolo eventual ou crime culposo?
O enquadramento jurídico do caso depende diretamente das provas técnicas.
Atualmente registrado como lesão corporal culposa, a tipificação pode mudar conforme a intensidade do risco potencialmente assumido pelo motorista.
A advogada criminalista Ana Krasovic pontua que a linha entre a negligência e o dolo é estreita.
“Na culpa consciente, o agente prevê a possibilidade do resultado ilícito, mas acredita sinceramente que conseguirá evitá-lo. Já no dolo eventual, o agente prevê o resultado e, ainda assim, assume o risco de produzi-lo, demonstrando indiferença quanto à sua ocorrência”, esclarece.
A análise do local, que inclui fatores como visibilidade e fluxo veicular, também comporá o laudo final. Para a especialista, a distinção é vital, pois “define se o agente responderá por crime culposo ou doloso”, com penas significativamente diferentes no Código Penal.
O peso da perícia mecânica e eletrônica
A investigação, conduzida pela 14ª DP (Leblon), foca na suposta falha mecânica relatada pelo motorista. Segundo o engenheiro e perito em sinistros, Sergio Ejzenberg, a análise do veículo é fundamental para descartar hipóteses.
“Considerando que foi um sinistro com mínimos danos ao veículo, a perícia terá condições de avaliar os sistemas de direção e de frenagem para verificar sua efetiva condição de funcionamento”, explica o especialista.
Outro ponto de atenção é a ausência de marcas de frenagem no asfalto, relatada pela Polícia Militar e por testemunhas.
Caso a perícia não identifique defeitos no automóvel, a investigação deve se voltar para o comportamento do condutor.
“Se não forem constatadas falhas nesses sistemas, a causa do sinistro será outra a ser buscada. Nesse caso deverá ser investigado eventual distração do condutor (uso do celular)”, afirma Ejzenberg.
A família de Mariana realizou uma cerimônia fechada para o enterro da jovem na última quinta-feira (21) no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na zona Oeste da capital paulista.
O pai da jovem classificou a perda como uma “perda irreparável”, destacando que a filha havia retornado ao Brasil no mesmo dia do acidente para iniciar um estágio em uma multinacional de cosméticos.
O motorista colaborou com as investigações, não apresentou sinais de alteração e, por enquanto, responde ao processo em liberdade.
Polícia investiga morte de filha de diplomatas atropelada em Ipanema

