Juventus e Milan, dois dos maiores gigantes da Serie A, não conseguiram se classificar para a Uefa Champions League neste domingo (24). Será a primeira vez em quase 35 anos que nenhum dos dois disputará a principal competição europeia, aprofundando uma crise de identidade no futebol italiano, já pressionado por maus resultados recentes.
No lugar deles, o Como garantiu uma vaga histórica no torneio após apenas duas temporadas na elite. Menos de dez anos atrás, o clube atuava nas divisões amadoras. Desde que a Copa dos Campeões foi renomeada para Champions League, em 1992-93, ao menos Juventus ou Milan sempre estiveram presentes.
A ausência dos gigantes representa o auge de uma temporada histórica para o Como, que terminou em quarto lugar, mas também o ponto mais baixo de uma campanha problemática para os principais clubes italianos. Tudo isso acontece depois de a seleção da Itália ficar fora de uma terceira Copa do Mundo consecutiva.
A temporada também marcou a primeira vez desde 1986-87 em que clubes italianos ficaram fora das semifinais das três principais competições europeias.
Grandes mudanças no Milan
Para o Milan, sete vezes campeão europeu e vencedor pela última vez em 2007, mudanças profundas estão por vir. O dono do clube, Gerry Cardinale, enfrenta forte pressão após torcedores revoltados exibirem faixas com a mensagem “Vá para casa: vergonha” do lado de fora do hotel do dirigente e no estádio San Siro.
A derrota por 2 a 1 para o Cagliari, que confirmou o quinto lugar e a ausência na Champions pelo segundo ano seguido, deve provocar uma reformulação imediata na diretoria, segundo a imprensa italiana.
O técnico Massimiliano Allegri também está sob forte pressão, assim como vários jogadores do elenco principal.
O ex-jogador e ex-treinador do Milan, Fabio Capello, criticou duramente a equipe:
“Vi um time sem força, sem vontade, sem ideias. Uma revolução? Sim, mas apenas se houver ideias por trás disso, caso contrário não faz sentido.”
Reconstrução na Juventus
Enquanto isso, a Juventus, campeã europeia pela última vez em 1996, terminou apenas na sexta colocação após empate por 2 a 2 contra o rival Torino.
Apesar da frustração, o técnico Luciano Spalletti deve permanecer no cargo, com respaldo da diretoria para liderar uma reconstrução do elenco dentro de limites financeiros mais rígidos.
“Precisaremos ser ainda melhores”, afirmou Spalletti, reconhecendo o impacto da perda das receitas da Champions League.
O treinador também indicou que a Juventus buscará reforços na próxima janela de transferências para aumentar a personalidade do grupo.
Ascensão histórica do Como
Em contraste com a crise em Milão e Turim, o Como vive um momento histórico. Sob o comando do ex-campeão mundial Cesc Fabregas, o clube garantiu vaga na Champions ao lado de Inter Milan, Napoli e Roma.
“Quando cheguei há quatro anos como jogador, nós trocávamos de roupa em um bar. Hoje estamos na Champions League”, disse Fàbregas.
O sucesso do Como também reflete uma tendência do futebol italiano atual: a forte presença estrangeira nos elencos. O destaque da campanha foi o argentino Nico Paz, que marcou 12 gols e deu sete assistências, despertando o interesse do Real Madrid, que pode ativar a cláusula de recompra do meia de 21 anos.
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