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John Deere aposta em tecnologia e vê recuperação gradual do agro brasileiro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
John Deere aposta em tecnologia e vê recuperação gradual do agro brasileiro

A combinação de juros elevados, margens apertadas e incertezas geopolíticas ainda deve manter o agronegócio brasileiro em um cenário desafiador em 2026. Mas, para a John Deere, o setor continua sólido no longo prazo  e o Brasil segue como um dos mercados mais estratégicos da companhia no mundo.

Em entrevista à CNN, Cristiano Correia, vice-presidente global da John Deere no Brasil, afirmou que o setor ainda deve enfrentar “mares revoltos” neste ano, embora exista expectativa de melhora gradual a partir de 2027.

“Este ano ainda é de dificuldade. O ano que vem pode ser melhor, mas isso vai depender de alguns fatores, principalmente margem, preço dos produtos agrícolas, demanda e produção. Também precisamos evitar novos eventos-surpresa no cenário global, como conflitos geopolíticos”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil enfrenta um agravante importante em relação a outros mercados: o alto patamar das taxas de juros, que pressiona o investimento do produtor rural e encarece o crédito.

Apesar disso, Correia avalia que o cenário é cíclico e tende a se normalizar.

“O agricultor brasileiro precisa entender que esse é um momento que vai passar. O Brasil é um dos países de destaque no mundo, responsável por uma parcela muito relevante da produção global de alimentos. Além disso, produzimos fibra e energia limpa para o mundo”, disse.

Com 189 anos de história, a John Deere afirma já ter atravessado diferentes ciclos econômicos e agrícolas ao longo das décadas. “Já vimos todos os cenários possíveis. Assim como tivemos anos extremamente positivos, também já enfrentamos momentos difíceis. E sabemos que isso passa”, destacou o executivo.

Tecnologia como principal estratégia

Diante de um mercado mais cauteloso, a estratégia da companhia tem sido ampliar investimentos em soluções capazes de “destravar valor” para o produtor rural.

Segundo Correia, a aposta envolve desde novos softwares até máquinas de última geração e tecnologias embarcadas para diferentes perfis de clientes — produtores de soja, milho, pecuária e silvicultura.

“Estamos vendo muitas oportunidades em tecnologia. E não estamos falando apenas de software novo, mas também de máquinas novas e de soluções capazes de aumentar eficiência e produtividade”, afirmou.

Entre as iniciativas destacadas está o avanço da agricultura de precisão. A empresa vem investindo em kits tecnológicos que permitem modernizar máquinas já existentes, sem que o produtor precise necessariamente adquirir um equipamento novo.

“Quem não consegue comprar uma máquina nova pode atualizar o maquinário atual com tecnologia moderada ou avançada. Isso amplia eficiência e reduz custos”, explicou.

Outro foco estratégico da companhia é o fortalecimento da rede de concessionárias e da assistência técnica remota.

Hoje, segundo a empresa, cerca de 85% dos atendimentos iniciais já são realizados de forma virtual, o que reduz o tempo de resposta e o custo operacional para o produtor.

“O cliente quer apoio instantâneo. O atendimento remoto trouxe avanços importantes na solução de problemas e na redução de custos”, afirmou.

Crédito e expansão no Brasil

A área financeira também aparece como peça importante na estratégia da companhia. O banco da John Deere e a joint venture com o Bradesco têm sido utilizados para ampliar alternativas de financiamento ao produtor rural.

Para a companhia, o Brasil continua sendo o principal foco de crescimento global.

“O Brasil é a menina dos olhos da John Deere. É um mercado extremamente representativo para a empresa e precisamos continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento”, disse Correia.

A companhia afirma ter lançado cerca de 20 novidades ao mercado apenas neste ano e pretende manter o ritmo de inovação nos próximos ciclos.

Competição global

Ao comentar o ambiente internacional, o executivo citou o avanço de concorrentes asiáticos, especialmente da China e da Índia, mas afirmou que o Brasil ainda lidera em eficiência agrícola e adoção de tecnologia.

“A China produz muito, mas a demanda também é enorme. A Índia vem investindo fortemente em tecnologia no curto prazo”, avaliou.

Correia também destacou o novo ambiente econômico da Argentina, que reduziu impostos e tributações sobre o setor agrícola, estimulando investimentos locais e retomando a confiança do produtor rural.

“A Argentina tem solo muito bom e o agricultor voltou a acreditar mais na agricultura. Mas o Brasil continua liderando na ponta, principalmente em eficiência e tecnologia”, concluiu.

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