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Investigação aponta transações entre Deolane e cunhada de Marcola; veja

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Investigação aponta transações entre Deolane e cunhada de Marcola; veja

O relatório da investigação que embasou os pedidos de prisão preventiva na Operação Vérnix descreve a existência de movimentações financeiras que conectariam a influenciadora e advogada Deolane Bezerra a pessoas apontadas pelos investigadores como integrantes do entorno familiar e financeiro da cúpula do PCC.

Entre os pontos destacados no documento aparece o nome de Francisca Alves da Silva, identificada pela investigação como pessoa relacionada ao núcleo de Marcos Willians Herbas Camacho e esposa de seu irmão, Alejandro Camacho.

Segundo o relatório, Francisca figurou em levantamentos paralelos compartilhados com outras frentes investigativas e aparece em cruzamentos financeiros feitos pelos órgãos de inteligência.

A investigação aponta que a cunhada de Marcola, que figura como intermediária nos atos de lavagem de capitais e que é investigada em uma operação policial desencadeada no Ceará, transacionou direta ou indiretamente com Deolane Bezerra. Em um dos trechos da análise, os investigadores afirmam que “Francisca Alves da Silva, como pessoa física ou pessoa jurídica manteve transações com Leonardo Camacho, assim como Deolane Bezerra Santos.”

O documento faz referência ao relatório técnico do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), utilizado para consolidar cruzamentos bancários e patrimoniais realizados durante a apuração.

Documento liga Deolane a movimentações com cunhada de Marcola • Reprodução/Relatório PCSP
Relatório do caso cita operações entre Deolane e cunhada de Marcola • Reprodução/Relatório PCSP

Por que a investigação considera esse dado relevante

O ponto central para os investigadores não é apenas a existência de transferência financeira isolada.

Na lógica apresentada ao longo do relatório, a relevância está na formação de uma rede de relacionamento econômico entre pessoas que aparecem simultaneamente em diferentes camadas da investigação, incluindo integrantes da família Camacho, operadores financeiros e pessoas jurídicas ligadas aos investigados.

O relatório sustenta que esse tipo de cruzamento busca identificar o que, em investigações de lavagem de dinheiro, costuma ser chamado de integração patrimonial: quando recursos circulam entre pessoas físicas e empresas para reduzir rastreabilidade e conferir aparência formal às movimentações.

Outro trecho da investigação menciona ainda análises de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) que apontariam presença de contrapartes consideradas de risco, com histórico investigativo relacionado a crimes como organização criminosa e lavagem de capitais.

Onde Francisca aparece na investigação

O relatório registra que o nome de Francisca surgiu a partir de compartilhamento de informações com outra frente investigativa, ao lado de nomes posteriormente cruzados com os dados financeiros analisados pelo LAB-LD.

Em outro ponto do documento, os investigadores descrevem movimentações financeiras envolvendo pessoas que aparecem relacionadas ao mesmo contexto investigativo, mencionando depósitos e transferências recebidas por investigados a partir de pessoas físicas com registros anteriores associados a organização criminosa e lavagem de capitais.

Até o momento, a investigação usa essas movimentações como elementos indiciários dentro do conjunto probatório apresentado ao Judiciário, e não como prova definitiva de prática criminosa.

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    Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo

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    Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo

Relembre o caso

Deolane foi presa preventivamente na Operação Vérnix, investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Gaeco, do Ministério Público de São Paulo.

Segundo os investigadores, o caso apura suposta estrutura de lavagem de dinheiro atribuída ao PCC, com uso de empresas e movimentações patrimoniais para inserção de recursos na economia formal.

As apurações ainda estão em andamento e as alegações deverão ser analisadas pela Justiça, com direito à ampla defesa.

O que diz a defesa

Procurada, a defesa de Deolane afirmou que a influenciadora “conhece muita gente e circula em muitos meios”, mas que isso não pode ser interpretado como elemento de responsabilização criminal. Os advogados sustentam que todos os valores atribuídos a ela estão declarados e têm origem lícita, incluindo quantias recebidas no início da investigação que, segundo a defesa, correspondem a honorários advocatícios.

A defesa também afirmou que não teve oportunidade de apresentar esclarecimentos durante os quatro anos de apuração e disse que pretende demonstrar, no processo, a origem dos recursos mencionados pela investigação.

Veja pronunciamento na íntegra

“Deolane é uma figura pública que realmente conhece muita gente, circula em muitos meios e isso não pode ser criminalizado de modo algum. A atividade dela, todas são atividades lícitas, todos os valores estão declarados. Ainda não tivemos espaço nem momento nessa investigação para explicar os valores a ela atribuídos porque ela nunca foi chamada na polícia para prestar qualquer esclarecimento. Vamos ter que fazer isso, então, dentro do processo.

Com relação aos valores recebidos no início da investigação, que são mencionados no início da investigação, dizem respeito a honorários advocatícios perfeitamente lícitos e que ela vai explicar no curso do processo.

O problema é que a investigação, depois desse pagamento, lá em 2020, faz uma devassa na vida pessoal e profissional dela e da família e mistura valores oriundos da atividade dela como empresária, como influencer, mistura tudo e atribui uma origem lícita. Por quê? Porque eles não sabem qual é a origem contábil disso tudo. E nós temos, nós temos como explicar absolutamente todos os valores, só que não nos foi dada nenhuma oportunidade no curso dessa investigação, que está aberta há quatro anos e que só agora vem uma prisão totalmente desnecessária, extemporânea, absolutamente ilegal.

Então, tudo vai ser explicado no seu momento no processo.”

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