Um dos principais legados dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), localizado em São Paulo, completou 10 anos no último sábado (23).
O espaço se tornou símbolo de excelência no paradesporto na América Latina, e, ao longo dessa década de existência, já colocou o nome na história com 67 recordes mundiais estabelecidos em suas pistas, piscinas e campos.
Mas o CTPB quer ir além e vem apostando e contribuindo também na formação de novos atletas.
À CNN, Ramon Pereira, diretor de desenvolvimento esportivo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), explicou que a mudança de foco no CT Paralímpico aconteceu a partir de 2018, dois anos após sua inauguração. Até então, só atletas de alto rendimento eram atendidos.
Segundo Ramon, o planejamento não começou com foco na descoberta de novos talentos, mas sim na necessidade de inclusão através do esporte.
“Nós mudamos a nossa ideologia exatamente com essa preocupação, porque hoje a realidade de muitas escolas regulares é que o professor de atividade física ele muitas vezes não tem a informação de fazer um planejamento inclusivo. E isso, consequentemente, traz uma um prejuízo social muito grande, porque a autoestima da criança é diretamente abalada”, explicou.
Referência
Quarto maior centro de treinamento paralímpico do mundo, o CTPB oferece instalações indoor e outdoor para treinamentos, competições e intercâmbios em 20 modalidades paralímpicas.
Com 95 mil metros quadrados de área construída, os atletas têm à disposição pistas de atletismo, centro aquático, quadras adaptadas, salas de treinamento, espaços de medicina e ciência do esporte, além de hotelaria com cerca de 300 leitos, refeitório, lavanderia e áreas administrativas.

Escolhinhas e experimentação de modalidades
Além da estrutura para atletas de base e profissionais que já competem, o CT conta também com a Escola Paralímpica. Com o objetivo de promover a iniciação de crianças no esporte, a escolinha abrange 15 modalidades e recebe crianças e adolescentes até os 17 anos.
O que é muito interessante: quando um aluno, por exemplo, deficiente visual chega até nós, ele faz uma experimentação nas modalidades que são elegíveis a ele. Então nós estamos falando aqui do futebol de cegos, da natação, do atletismo, do goalball, que é um esporte específico ao deficiente visual e o judô. Então no final desse processo, que dura mais ou menos uns dois anos, nós provocamos esse aluno a estar em uma modalidade que ele tem o melhor desempenho.
Ramon Pereira, diretor de desenvolvimento esportivo do CPB
Apesar do incentivo à escolha pela modalidade em que se sai melhor, a criança tem a liberdade para permanecer no esporte que preferir.
“Por exemplo, se ele tem um desempenho fantástico no atletismo, mas quer ficar na natação. Tudo bem, ele vai ficar na natação. É esse sentimento que a gente cria em nossas crianças, para respeitar as suas decisões. E por que isso? Porque quando ele chegar a ser um atleta de alto rendimento, ele vai ter que ter as suas decisões, seja na pista, na quadra, na piscina, aonde ele estiver”, completou.

As aulas estão disponíveis gratuitamente à população e acontecem sempre à tarde, das 14h às 15h30 e das 16h às 17h30. Além das aulas, os alunos recebem lanches após as atividades e o uniforme de treino, assim como o material esportivo necessário.
Localizado no Parque Fontes do Ipiranga, na zona sul da capital paulista, o CT Paralímpico hoje atende 536 alunos, mas tem capacidade para mil. Para se inscrever, basta acessar o site oficial do CPB.
“Crias” do CT nos Jogos Paralímpicos
Com a mudança de foco do CT a partir de 2018, a expectativa era de que os primeiros atletas de alto rendimento formados no local atingissem somente os Jogos Paralímpicos de 2028. Mas a expectativa foi superada. Os “crias” do CT já estão trazendo resultados significativos.

Alessandra Oliveira, por exemplo, entrou na Escola Paralímpica em 2018, onde iniciou a natação. Em 2025, conquistou dois outros no Mundial de Singapura. Antes disso, já havia conquistado diversas medalhas nos Jogos Parapan-Americanos de 2023.
“No Parapan passado, no Chile, 60% dos atletas já participaram dos nossos projetos, 22 desses atletas são especificamente daqui, desse projeto, da Escola Paralímpica. Dos Centros de Referência nós tivemos 48 alunos que representaram o Brasil”, contabilizou Ramon.
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