O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou no domingo (24) que um acordo entre Estados Unidos e Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz, passagem por onde circula parcela relevante do petróleo mundial.
Hasset disse que objetivo é provocar queda nos preços de energia suficiente para aliviar a inflação e abrir caminho para o Fed (Federal Reserve) reduzir os juros.
Em entrevista à Fox News, ele disse que a Casa Branca já vê sinais de cautela no mercado, com compradores evitando novas aquisições de petróleo à vista, na expectativa de queda forte dos preços.
O diretor evitou antecipar um anúncio, mas disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já falaram de forma clara sobre a proximidade de um desfecho.
A fala ocorreu no mesmo dia em que Trump afirmou em rede social que as negociações com Teerã avançavam de forma “ordenada e construtiva”.
A negociação ocorre enquanto os americanos pagam mais de US$ 4,50 por galão na gasolina e mais de US$ 5,50 por galão no diesel, com o petróleo próximo a US$ 100, segundo dados citados na entrevista.
Segundo o assessor de Trump, há volume de petróleo represado na região e capacidade adicional de produção pronta para entrar em operação, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
“Assim que houver um acordo, os estreitos serão abertos e o petróleo voltará a fluir”, afirmou. Ele disse que a normalização pode liberar uma oferta relevante. “Há uma quantidade muito grande de petróleo que pode chegar ao mercado”, acrescentou.
Hassett lembrou que, no início da crise, havia previsões de que o barril superaria US$ 150 se o estreito fosse fechado, mas a cotação permaneceu abaixo de US$ 100.
“O petróleo surpreendeu para baixo de forma significativa. Espero que a gasolina também surpreenda para baixo assim que os estreitos forem abertos”, disse.
Na avaliação de Hassett, a energia é o principal vetor de pressão sobre os preços, mas não o único.
Desregulação, iniciativas para reduzir preços de alimentos, avanço da inteligência artificial e aumento dos investimentos atuam na direção oposta, disse ele.
O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, “quase não se mexeu” nos últimos relatórios. “Muita gente trata a energia como se fosse toda a história. Mas não é. E nem é a parte mais importante da história”, afirmou.
Com a energia cedendo, disse Hassett, seria possível ver “inflação negativa” por causa da queda dos preços de energia. “Quando os preços de energia voltarem a cair, a inflação pode ficar negativa por esse efeito”, disse.
Nesse cenário, acrescentou, haveria “bastante espaço para o Fed fazer a coisa certa e reduzir os juros”.
As declarações foram feitas após Kevin Warsh tomar posse como presidente do Fed, sucedendo Jerome Powell.
Hassett elogiou a experiência do novo dirigente, que, em 2008, se tornou o mais jovem governador do Fed da história, e ressaltou que Trump espera uma atuação independente e baseada em dados.
“Respeito a independência do Fed e a capacidade intelectual de Kevin Warsh. Tenho certeza de que ele vai lidar com isso olhando para os dados”, afirmou.
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