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Trump conversa com líderes do Golfo enquanto avalia proposta do Irã

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Trump conversa com líderes do Golfo enquanto avalia proposta do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou na tarde deste sábado (23) com líderes do Golfo e de outros países da região para analisar a proposta mais recente do Irã para encerrar a guerra, disse uma fonte familiarizada com o assunto. Ao mesmo tempo, mediadores deixavam reuniões em Teerã sugerindo que as partes haviam avançado rumo a um possível acordo preliminar.

Trump, em entrevista por telefone ao Axios, descreveu as chances de um acordo com o Irã como “um sólido 50 a 50” antes da ligação com os líderes regionais, acrescentando que pode decidir até domingo se retomará ações militares contra o Irã.

O presidente afirmou que as negociações podem resultar em um acordo “bom” ou levar os EUA a decidirem “explodi-los até o inferno”.

Mais cedo neste sábado, autoridades americanas e iranianas indicaram que podem estar mais próximas de um acordo preliminar para encerrar a guerra, após mediadores do Catar e do Paquistão realizarem conversas em Teerã. Uma fonte regional afirmou que EUA e Irã estão se aproximando de um entendimento para trabalhar futuramente em um acordo mais detalhado.

“Pode haver notícias mais tarde hoje. Não tenho novidades neste exato momento, mas talvez haja alguma notícia um pouco mais tarde hoje. Talvez não haja. Espero que haja, mas ainda não tenho certeza”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a jornalistas em Nova Déli neste sábado.

Segundo uma fonte regional ouvida pela CNN, a ligação de Trump neste sábado incluiria líderes do Golfo e autoridades do Paquistão, Turquia e Egito.

Trump também disse ao Axios que planejava conversar com o enviado Steve Witkoff e com o assessor Jared Kushner, seu genro. Enquanto isso, o vice-presidente JD Vance foi visto chegando à Casa Branca neste sábado.

Separadamente, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocará uma reunião restrita de segurança na noite deste sábado com ministros selecionados e autoridades de segurança para discutir os avanços nas negociações com o Irã, segundo uma fonte israelense ouvida pela CNN.

Os esforços de mediação ocorrem após Trump se reunir na sexta-feira com altos funcionários da segurança nacional dos EUA para discutir os próximos passos na guerra, incluindo a possibilidade de retomada dos combates.

Rubio afirmou que os esforços diplomáticos continuam em andamento nos bastidores e que Washington segue focado em garantir que o Irã não possa possuir uma arma nuclear e em tratar dos estoques de urânio enriquecido do país.

“Mesmo enquanto falo com vocês agora, há trabalho sendo feito”, disse Rubio. “Há uma chance de que, seja mais tarde hoje, amanhã ou em alguns dias, tenhamos algo a anunciar.”

Enquanto isso, Trump também demonstrou otimismo neste sábado, afirmando em entrevista à CBS News que viu um rascunho da proposta iraniana e que os dois lados estão “chegando muito mais perto” de um acordo, segundo a correspondente da emissora Nancy Cordes.

Trump não disse se aceitará o texto, afirmando: “Não posso contar a vocês antes de contar a eles, certo?”

Enquanto isso, os senadores republicanos Roger Wicker, do Mississippi, e Lindsey Graham, da Carolina do Sul — ambos defensores de uma linha dura contra o Irã — demonstraram cautela diante da possibilidade de Trump fechar um acordo de paz com Teerã.

Graham expressou preocupação com a percepção de que o Irã possa se consolidar como uma força dominante que exigiria uma solução diplomática, algo que, segundo ele, poderia ter amplas implicações para a região.

“Essa combinação de o Irã ser visto como capaz de aterrorizar o Estreito [de Hormuz] indefinidamente e de causar danos massivos à infraestrutura petrolífera do Golfo representa uma grande mudança no equilíbrio de poder da região e, ao longo do tempo, será um pesadelo para Israel”, escreveu Graham no X neste sábado.

Wicker, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado, afirmou acreditar que as negociações “definirão” o legado de Trump e incentivou o presidente a “terminar o que começamos”.

“Os instintos dele eram concluir o trabalho iniciado no Irã, mas ele está sendo mal aconselhado a buscar um acordo que não valeria o papel em que fosse escrito”, escreveu Wicker na sexta-feira, acrescentando que “a continuidade da busca por um acordo com o regime islamista do Irã corre o risco de passar uma percepção de fraqueza”.

‘Uma trajetória positiva’

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Teerã está focada em finalizar um memorando de entendimento por meio das negociações mediadas pelo Paquistão.

Segundo o porta-voz da chancelaria, Esmail Baghaei, o memorando trataria do fim da guerra, do encerramento do bloqueio naval dos EUA ao Irã e da liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior, mas não abordaria o programa nuclear iraniano.

“As sanções certamente fazem parte dos temas de negociação, mas, como não estamos discutindo a questão nuclear neste estágio, também não haverá negociação sobre os detalhes da suspensão das sanções”, afirmou Baghaei, citado pela agência semioficial FARS.

Diversas fontes regionais disseram à CNN que havia um otimismo cauteloso em relação às negociações.

“As coisas estão caminhando em uma trajetória positiva”, disse uma fonte regional.

Outra fonte com conhecimento das conversas afirmou que “o impasse acabou”, embora ainda não estivesse claro se isso se referia aos principais pontos de divergência ou apenas ao texto do memorando.

Entre as principais divergências estão o destino do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido, o programa doméstico de enriquecimento e a navegação pelo Estreito de Hormuz, que Teerã efetivamente fechou.

Mais cedo nesta semana, a fonte disse que também havia discussões sobre um possível desbloqueio de ativos iranianos.

Após reuniões em Teerã na sexta-feira e neste sábado, o chefe militar do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, deixou a capital iraniana rumo a Islamabad no fim da tarde no horário local. As Forças Armadas paquistanesas disseram que a visita foi “altamente produtiva” e que as conversas “contribuíram significativamente para o processo de mediação”.

“As intensas negociações das últimas 24 horas resultaram em avanços encorajadores rumo a um entendimento final”, afirmou o Exército em comunicado.

Baghaei disse que prazos de 30 e 60 dias foram incluídos no texto do memorando, mas que ele ainda não foi finalizado.

“Na última semana, os pontos de vista ficaram mais próximos”, afirmou. “Precisamos esperar para ver o que acontecerá nos próximos três ou quatro dias.”

Baghaei também disse que qualquer mecanismo relacionado ao Estreito de Hormuz deve ser acordado entre Irã, Omã e os países que fazem fronteira com a via marítima, e que os Estados Unidos “não têm nada a ver” com isso.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, adotou um tom desafiador após as conversas com Munir, alertando que o Irã “não recuará dos direitos de nossa nação e de nosso país — especialmente ao lidar com uma parte que nunca demonstrou sinceridade e na qual não existe confiança”.

“Nossas Forças Armadas se reconstruíram durante o cessar-fogo de tal forma que, se Trump cometer o erro de reiniciar a guerra, isso certamente será mais devastador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra”, acrescentou Ghalibaf, segundo a emissora estatal iraniana.

Um integrante da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Irã, Fada Hussain Maleki, afirmou em entrevista à agência semioficial ISNA que “parece que estamos nos aproximando de um acordo final, mas ainda existem desafios”, acrescentando que novas conversas ocorreriam neste sábado.

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