No feirão das bondades pré-eleitorais foi a vez agora do Congresso Nacional, que derrubou um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permitiu a doação de cestas básicas, ambulâncias e valores em dinheiro a municípios.
Isto não se podia fazer durante o chamado defeso eleitoral. Isto é, período de eleições. Esse tipo de doação é mais conhecido como compra de voto.
A mesma votação no Congresso permite que municípios que deviam dinheiro à seguridade social, por exemplo, também possam receber doações. Isso vai beneficiar mais de 3.000 municípios, anunciou um triunfante David Alcolumbre, presidente do Congresso, em meio a uma marcha de prefeitos em Brasília.
Agora, os municípios inadimplentes junto ao governo federal vão também poder receber emendas de parlamentares. Ao fazer isso, os parlamentares estavam ajudando, em primeiro lugar, a si mesmos.
Como se sabe fartamente, as bases regionais de deputados e senadores apreciam especialmente aqueles que “trazem alguma coisa” para a sua região. E, com isso, garantem a própria permanência no Legislativo. O Congresso facilitou ainda mais o emprego direto de emendas parlamentares para construção ou manutenção de rodovias que não sejam federais.
Está aí a essência da política brasileira hoje. A captura dos cofres públicos ou de pedaços da máquina do Estado convertidos em ferramentas para a defesa de interesses particulares, regionais ou setoriais, e não estamos falando de corrupção.
Quanto à compra de votos, quem nunca? O governo Lula vai gastar cerca de R$ 200 bilhões em outro feirão próprio de bondades. O Congresso jamais ficaria atrás.

