Manifestantes antigovernamentais chegaram a La Paz, onde foram atacados com gás lacrimogêneo e repelidos pela polícia nesta sexta-feira (22).
O protesto agrava a escalada da instabilidade na Bolívia, com sindicatos, mineiros e grupos rurais exigindo auxílio econômico.
A tensão está alta há semanas, com os protestos, que começaram com greves no início de maio, transformando-se em um movimento nacional.
Os manifestantes pressionam o governo centrista do presidente Rodrigo Paz a reverter as medidas de austeridade e a lidar com o aumento do custo de vida, e alguns chegam a pedir sua renúncia.
As pessoas realizaram bloqueios de estradas, interrompendo o fornecimento de suprimentos e a circulação de pessoas, o que também provocou contraprotestos de moradores exigindo respeito ao governo de Paz.
Países como Argentina e Chile intervieram para fornecer assistência humanitária, com aeronaves transportando suprimentos e itens de primeira necessidade para a Bolívia.
Bancos afetados
Na terça-feira (19), vários bancos fecharam temporariamente suas agências em La Paz, alegando preocupações com a segurança, à medida que os distúrbios antigovernamentais aumentam na capital administrativa do país, de acordo com uma testemunha da Reuters.
Bancos como o BCP (Banco Nacional da Bolívia, o Banco de Crédito da Bolívia), o Banco Econômico e o estatal Banco Unión redirecionaram os clientes para serviços bancários online e caixas eletrônicos.
Funcionários de cinco bancos disseram à Reuters que as operações não seriam retomadas até que os protestos diminuíssem.
A associação bancária boliviana Asoban não quis comentar sobre a causa dos fechamentos, mas disse que os bancos ainda estavam parcialmente operacionais.
Entenda a onda de protestos na Bolívia
Apoiadores do ex-presidente de esquerda da Bolívia Evo Morales marcharam por La Paz na segunda-feira (18), ampliando a agitação que tem bloqueado estradas por quase duas semanas e provocado escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos em todo o país.
Segundo as autoridades, caminhões ficaram parados nas rodovias e pacientes ficaram sem acesso a hospitais. A Argentina enviou uma aeronave militar com suprimentos de alimentos a pedido da Bolívia.
As manifestações que começaram com greves no início de maio se transformaram em um movimento nacional envolvendo sindicatos de trabalhadores, mineiros, trabalhadores do transporte e grupos rurais.
Os manifestantes estão pressionando o governo do presidente Rodrigo Paz a reverter as medidas de austeridade e a lidar com o aumento do custo de vida, com alguns pedindo sua renúncia.
Analistas afirmam que a agitação passou de queixas locais para um sentimento antigovernamental mais amplo sobre a direção econômica do país.
Os protestos estão centrados nas crescentes pressões econômicas. Os professores estão exigindo salários mais altos e mais recursos, enquanto os sindicatos do setor de transportes lançaram greves sem fim em meio à escassez de combustível e preocupações com o abastecimento. Grupos indígenas e rurais se opõem às reformas agrárias que, segundo eles, favorecem os grandes proprietários de terras.
Apesar de o governo ter revogado uma lei agrária polêmica neste mês, os protestos continuaram.
Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro e herdou uma economia em turbulência, defendeu os cortes de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como necessários para estabilizar as finanças públicas.
Ele está preparando um pacote de reformas para o Congresso que inclui o levantamento gradual dos controles de preços dos combustíveis e medidas para impulsionar a produção doméstica de energia e os investimentos.
O governo tem procurado aliviar as tensões por meio de negociações e aumentos salariais, ao mesmo tempo em que mobiliza cerca de 3.500 membros das forças de segurança para desobstruir as estradas. As autoridades disseram que cerca de 57 pessoas foram presas.
As autoridades culparam a oposição e os aliados de Morales por incentivar os bloqueios, que, segundo elas, contribuíram para pelo menos três mortes, incluindo pacientes que não conseguiram chegar a hospitais.

