Integrantes do Palácio do Planalto ouvidos pela CNN Brasil avaliaram que a recente aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduz o impacto político de um possível encontro entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, e o republicano na Casa Branca, previsto para a próxima semana.
Fontes ouvidas pela CNN Brasil afirmaram, porém, que o governo brasileiro não pretende interferir para vetar esse possível encontro entre Flávio e Trump. A avaliação é que a aproximação do republicano com a família Bolsonaro não representa novidade.
Ainda assim, se a reunião se concretizar, o Planalto pretende acompanhar os desdobramentos da visita e reagir rapidamente a qualquer consequência considerada negativa para o Brasil.
A leitura do governo brasileiro é que o possível encontro na próxima semana se diferencia das articulações do tarifaço, em 2025, devido à visita de Lula a Trump na quinta-feira (7).
Segundo interlocutores do governo brasileiro, a aproximação recente entre o petista e o republicano diminuiu a margem de atuação da ala bolsonarista brasileira e americana junto à Casa Branca.
Segundo integrantes da campanha de Flávio, o convite partiu da Casa Branca e foi intermediado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A negociação também envolveu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do pré-candidato pelo PL.
Reservadamente, auxiliares do governo brasileiro afirmam que, até o momento, não houve comunicação oficial ao Palácio do Planalto sobre esse possível encontro.
A possibilidade de a visita a Trump acontece em um momento no qual a campanha de Flávio vive uma crise de confiança, após vazamento de mensagens e áudio do senador pedindo dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na quinta-feira (21), o publicitário Eduardo Fischer assumiu o marketing do senador.
No Planalto, a leitura é de que uma eventual visita de Flávio aos Estados Unidos teria caráter pontual, em busca de uma agenda positiva em meio à crise envolvendo o Banco Master, e dificilmente se traduziria em um apoio explícito da Casa Branca ao bolsonarista nas eleições de outubro.
Mesmo assim, auxiliares do governo reconhecem que o cenário exige observação.

