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OMS África diz que risco de propagação do Ebola não deve ser subestimado

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
OMS África diz que risco de propagação do Ebola não deve ser subestimado

Seria um erro subestimar o risco representado pelo surto de Ebola, disse o diretor regional da OMS para a África nesta sexta-feira (22), alertando que apenas um caso poderia espalhar o vírus para além da República Democrática do Congo e de Uganda.

Pelo menos 177 mortes são consideradas ligadas ao surto de Ebola na RD Congo, com quase 750 casos suspeitos, afirmou o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta sexta-feira (22). Dois casos também foram confirmados na vizinha Uganda.

“Seria um grande erro subestimá-lo, especialmente com um vírus com essa cepa, Bundibugyo, (para a qual) não temos a vacina”, disse Mohamed Yakub Janabi em uma entrevista na sede da OMS em Genebra.

“Portanto, eu realmente encorajaria a todos, vamos ajudar uns aos outros, podemos controlar isso”, declarou ele.

Ele acrescentou que o surto de Ebola no Congo teve relativamente pouca atenção global em comparação com o surto de hantavírus deste mês, que afetou passageiros de navio de cruzeiro de 23 países, incluindo grandes potências.

“Basta um caso de contato para colocar todos nós em risco, portanto, meu desejo e minha oração são para que consigamos dar (ao Ebola) a atenção que ele merece”, continuou ele.

O Ebola é um vírus frequentemente fatal que causa febre, dores no corpo, vômitos e diarreia. Ele se espalha por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram da doença.

Entenda como começou o surto de Ebola

O primeiro caso suspeito conhecido foi de um profissional de saúde, cujos sintomas começaram em 24 de abril, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). A pessoa morreu posteriormente em um centro médico em Bunia, capital da província de Ituri.

Em 5 de maio, a OMS recebeu um alerta sobre uma “doença desconhecida” com alta mortalidade na província, informou a agência. Após uma investigação de uma “equipe de resposta rápida” em 13 de maio, o surto foi confirmado como vírus Bundibugyo em 15 de maio.

Jeremy Konyndyk, ex-líder do combate à Covid e ajuda em desastres na USAID (agência dos EUA para o desenvolvimento internacional), disse que várias “gerações de transmissão” devem ter passado despercebidas antes que o surto fosse confirmado, o que ele classificou como um “grande problema”.

No domingo (17), o órgão de saúde da ONU declarou a epidemia uma “emergência de saúde pública de importância internacional” e afirmou que a alta taxa de positividade e o aumento do número de casos e mortes indicam “um surto potencialmente muito maior”.

Tedros Adhanon, da OMS, disse que esta é a primeira vez que um diretor-geral declara uma emergência desse tipo antes de convocar o comitê posteriormente na terça-feira (19).

Anne Ancia, representante da OMS na República Democrática do Congo, confirmou na terça-feira que o surto também se espalhou para a província de Kivu do Norte, que faz fronteira direta com Ituri, mas acrescentou que ainda há “incerteza significativa” sobre o número real de infecções.

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