A Petrobras divulgou nesta quinta-feira (21) fato relevante informando que a gestora de investimentos norte-americana GQG Partners ampliou sua participação na companhia.
A exposição total da carteira de clientes da gestora agora é de 187.199.112 ações ordinárias e ADRs (American Depositary Receipts), representando aproximadamente 5,03% das ações ordinárias emitidas pela companhia.
Com o percentual atingido pela gestora, a GQG passa a ter direito a assento no conselho de administração da Petrobras.
No comunicado à petroleira, a gestora informa que “esse é um investimento minoritário que não tem o objetivo de alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Companhia”.
O documento acrescenta que “não pretende adquirir, em nome dos seus clientes, quaisquer ações adicionais de emissão da companhia com a intenção de adquirir o controle ou alterar a estrutura administrativa da companhia”.
Para o sócio-diretor A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, a aquisição da participação acionária comprova o interesse crescente de investidores internacionais pela Petrobras pela quantidade de reservas e pela rentabilidade que oferece.
Antes do início do conflito no Oriente Médio, havia uma certa estabilidade entre oferta e demanda no mercado petrolífero. “A tendência era de preços caindo, de preços mais comportados de brent”, explicou.
Com o conflito relutando em acabar e a escalada de preços acima dos UU$ 100,00 o barril, o negócio passou a ser “extraordinariamente rentável”.
Rivaldo Neto explica que a Petrobras tem um dos custos de produção mais baixos e resilientes do setor. “Ela consegue dar retorno com o barril a US$ 35,00. A US$ 100,00 ela é ainda mais rentável”.
Além da rentabilidade, a companhia tem reservas em expansão com uma previsão de pico de produção em 2030.
“A gente tem aqui um pico sendo construído em cima de ativos muito rentáveis. Não só produtivos pelo lado do volume também atrativos por conta do retorno, porque os custos de produção são muito competitivos”, afirma.
Especialista no segmento de petróleo e gás, Rivaldo Moreira Neto chama a atenção para o movimento estratégico da GQG Partners, no momento que a Petrobras está próxima de seu pico de valor de mercado.
“Não é um movimento na baixa das ações e talvez reforce o ângulo estratégico do fundo de estar no conselho de administração, mesmo pagando um preço que não é de oportunidade”.
Conselho de administração
O acesso ao conselho de administração é outro ponto que pode justificar a busca pelos 5% de participação acionária. O acesso a informações estratégicas e a posição privilegiada no acompanhamento das decisões e análises da companhia podem explicar a compra das ações mesmo em preço elevado no mercado.
Outro fator apontado por Rivaldo Neto como possível interesse da gestora norte-americana na Petrobras é a proximidade das eleições presidenciais no Brasil. “A cada quatro anos, a gente pode trocar o governo, a gente pode trocar a direção da companhia. Não só as pessoas, mas também o direcionamento estratégico. E eu já estou ali dentro e posso sim ser parte do jogo, e influenciar mais o jogo.”, finalizou.

