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Voo Rio-Paris que matou 228 pessoas: relembre acidente aéreo de 2009

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Voo Rio-Paris que matou 228 pessoas: relembre acidente aéreo de 2009

O caso do voo AF447, que decolou do Rio de Janeiro com destino a Paris em 31 de maio de 2009, teve um desfecho judicial histórico nesta quinta-feira (21). Um tribunal de apelações na França considerou a companhia aérea Air France e a fabricante Airbus culpadas de homicídio culposo corporativo.

A tragédia resultou na morte de todas as 228 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulantes de 33 nacionalidades, sendo 58 brasileiros.

O acidente e as causas técnicas

A aeronave, um Airbus A330, partiu do Aeroporto do Galeão às 19h29. Cerca de quatro horas após a decolagem, o avião atravessava uma zona de tempestades sobre o Oceano Atlântico quando os sensores de velocidade (sondas Pitot) congelaram.

Essa falha técnica provocou o desligamento do piloto automático e gerou informações contraditórias nos instrumentos de bordo.

Segundo relatórios do Escritório de Investigações e Análises da França (BEA), a tripulação não conseguiu reagir adequadamente à pane.

O copiloto puxou o nariz da aeronave para cima, levando o avião a um estol aerodinâmico — perda de sustentação — seguido de uma queda livre de 11,5 quilômetros que durou aproximadamente três minutos e meio até o impacto com o mar.

Investigação e busca pelas caixas-pretas

As buscas pelos destroços começaram imediatamente após o desaparecimento, mobilizando a Força Aérea Brasileira e a Marinha.

No entanto, as caixas-pretas só foram localizadas dois anos depois, em maio de 2011, a cerca de 3.900 metros de profundidade.

Os registros revelaram momentos de confusão na cabine e foram cruciais para determinar a combinação de erros humanos e falhas técnicas que causaram o desastre.

Condenação histórica e indenizações

Após anos de disputa judicial, a condenação de 2026 reverteu a absolvição de primeira instância ocorrida em 2023.

A Justiça francesa impôs às empresas o pagamento da multa máxima de € 225 mil cada (aproximadamente R$ 1,3 milhão), valor considerado simbólico pelos familiares das vítimas, mas que representa o reconhecimento da negligência das companhias no treinamento de pilotos e na gestão de falhas de equipamentos.

Embora o processo criminal tenha chegado a essa etapa, especialistas indicam que novos recursos podem ser apresentados ao Supremo Tribunal da França, prolongando o embate jurídico.

O acidente do AF447 permanece como um marco que forçou mudanças profundas na segurança aérea e nos protocolos de treinamento de pilotos em todo o mundo.

*Com informações da Reuters

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