A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, realizada nesta quinta-feira (21) pelo Gaeco de Presidente Prudente com apoio da Polícia Civil de São Paulo, foi resultado de uma apuração que iniciou em 2019.
Entre os elementos usados para pedir a prisão preventiva da influenciadora, estão comprovantes bancários, mensagens extraídas de aparelho celular apreendido e análises de movimentações financeiras que, segundo a investigação, demonstrariam a atuação dela na engrenagem financeira investigada na Operação Vérnix.
Os documentos foram citados no relatório do inquérito e utilizados como fundamento para o pedido cautelar posteriormente autorizado pela Justiça. As conclusões ainda serão submetidas ao contraditório ao longo do processo.
Depósitos encontrados em celular apreendido
Segundo o relatório policial, um dos principais pontos considerados pelos investigadores foi o conteúdo extraído de aparelho celular apreendido em investigação anterior relacionada à empresa de transportes que já aparecia em apurações sobre lavagem de capitais.
De acordo com os autos, o aparelho continha conversas atribuídas a Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da estrutura investigada. Segundo a investigação, nessas conversas apareciam orientações sobre fechamento financeiro, divisão de valores e indicação de contas que receberiam parcelas dos recursos movimentados.

O relatório afirma que entre as contas indicadas estavam contas atribuídas a Deolane.
Além das mensagens, os investigadores afirmam ter encontrado comprovantes bancários anexados às conversas.

Segundo o documento, “foram encontrados comprovantes de depósitos destinados às contas vinculadas à investigada”. Para a polícia, esse conjunto de registros seria compatível com atuação operacional dentro da estrutura financeira investigada.

O que os investigadores dizem que os comprovantes demonstram
Nos documentos enviados à Justiça, os investigadores sustentam que os comprovantes não foram analisados isoladamente. Segundo o relatório, os registros foram confrontados com afastamentos de sigilo bancário, fiscal e financeiro, relatórios de inteligência financeira e análises patrimoniais.
A tese apresentada pela investigação é que os valores identificados não estariam relacionados, em tese, ao exercício regular da advocacia. Em um dos trechos do relatório, os investigadores afirmam que “o recebimento se deu em contexto de prestação e fechamento de contas da organização criminosa, e não de mero pagamento por serviços advocatícios lícitos”.
Segundo a investigação, a repetição das movimentações e a forma de circulação dos recursos foram consideradas elementos relevantes para sustentar a hipótese de lavagem de capitais.
Como isso entrou na decisão de prisão
Ao analisar o pedido cautelar, a decisão menciona que o conjunto probatório apresentado incluía documentos bancários, elementos telemáticos e relatórios financeiros produzidos durante a investigação.
O decreto registra que, naquele momento processual, havia indícios considerados suficientes para justificar medidas cautelares, sem realizar juízo definitivo sobre culpa ou responsabilidade criminal. Segundo o documento, o objetivo da prisão preventiva seria impedir eventual continuidade das condutas investigadas, preservar provas e evitar movimentações patrimoniais durante a apuração.
Com base nesses elementos, a Justiça autorizou as prisões e demais medidas cautelares.
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1 de 5Deolane é apontada pelas investigações como integrante do PCC • CNN Brasil/Reinaldo Macedo
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Válido lembrar que a prisão preventiva, no entanto, não representa condenação. As conclusões da investigação ainda serão submetidas ao contraditório e à análise do Judiciário, e a defesa poderá contestar provas, apresentar explicações e buscar eventual revisão das medidas ao longo do processo.
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”
A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.
Influencer Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em SP

