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Setor sucroalcooleiro vive momento desafiador com queda dos preços

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O setor sucroenergético brasileiro entra em um ciclo mais desafiador após registrar anos de alta rentabilidade, afirmou o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, durante painel sobre etanol e bioenergia no Rural Summit.

Segundo ele, depois de “entre cinco e seis anos maravilhosos, onde nunca ganhamos tanto dinheiro no setor sucroalcooleiro”, o segmento começa a enfrentar dificuldades diante da queda dos preços e do avanço da oferta de etanol de milho. “O Brasil tem 850 milhões de hectares, a gente produz cana em 9 milhões”, afirmou Nastari ao defender o potencial de expansão do setor.

No debate, executivos também abordaram estratégias de diversificação e investimentos em novas fontes de energia.

O vice-presidente de tecnologia e engenharia da Atvos, Alexandre Maganhato, afirmou que o crescimento da produção de etanol de milho exige medidas para reduzir riscos no segmento. “Etanol de milho está vindo com muito volume e temos que mitigar desse risco”, disse.

Segundo Maganhato, a companhia produz atualmente 30 milhões de metros cúbicos de biometano e pretende converter sua frota para utilização do combustível. Ele também informou que a empresa iniciou a implantação de uma planta de etanol de milho, com prazo estimado de dois anos para construção e capacidade para processar 600 mil toneladas por ano. “Ainda tem entressafra grande da cana e aí queremos usar o etanol de milho”, afirmou.

O presidente da Fermentec, Henrique Amorim, destacou o uso de resíduos da produção de etanol para geração de novos produtos. Segundo ele, a vinhaça, subproduto obtido após a destilação, pode ser utilizada para produção de biogás antes de retornar ao campo como fertilizante.

Amorim afirmou ainda que a empresa trabalha em um projeto piloto para produzir óleo a partir da vinhaça usando leveduras em biorreatores. Ele ressaltou que atualmente a maior parte do óleo produzido no Brasil é derivada da soja.

Já o diretor comercial e acionista da Energética Santa Helena, Luis Coutinho, afirmou que a empresa apostou na diversificação após enfrentar recuperação judicial. Segundo ele, a estratégia foi ampliar a remuneração por tonelada processada sem elevar significativamente a moagem de cana.

“Então fizemos uma organização e partimos do princípio de que a gente não tinha capital, por estar em recuperação judicial, para expandir. A gente tinha que diversificar para buscar a maior remuneração por tonelada possível”, afirmou. Coutinho disse que a companhia passou a investir em açúcar e em um projeto de etanol de milho, mantendo moagem entre 2 milhões e 2,2 milhões de toneladas de cana.

Ele também afirmou que os resíduos do etanol de milho poderão fortalecer a alimentação animal nas usinas. “Vão voltar a produzir boi nas usinas. O resíduo de produzir etanol de milho vai fazer com que voltem a ter comida dentro da energia”, declarou.

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