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Polícia prende PMs e apreende espadas em operação contra agiotagem no AM

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 21 horas)
Polícia prende PMs e apreende espadas em operação contra agiotagem no AM

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou, nesta quarta-feira (20), a Operação “Covil do Mamon”, prendendo 20 integrantes de duas organizações criminosas especializadas em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

O esquema movimentou ao menos R$ 24 milhões e estava por trás de homicídios, torturas, sequestros e cárcere privado contra vítimas que não conseguiam quitar dívidas infladas por juros abusivos.

Entre os detidos estão dois policiais militares, capturados no estado de Santa Catarina. Os demais foram presos em Manaus e em outros estados — ao todo, sete prisões ocorreram na capital amazonense e 13 fora do Amazonas, em ações simultâneas coordenadas com o apoio das polícias de outras unidades da federação.

“O núcleo operacional, o núcleo financeiro e o núcleo mandatário dessas organizações foram presos e responderão por uma série de crimes.”

Bruno Fraga, delegado-geral da PC-AM

Como funcionava o esquema

Os grupos atuavam emprestando pequenas quantias a juros extorsivos. Quando as vítimas não pagavam nos prazos estipulados, eram submetidas a um sistema organizado de cobranças violentas, que incluía ameaças, agressões físicas, torturas e sequestros. Em casos extremos, as dívidas resultaram em mortes.

As investigações revelaram distorções absurdas nos valores cobrados. Empréstimos de R$ 150 chegaram a gerar dívidas de R$ 45 mil. Em outros casos, a dívida ultrapassou R$ 400 mil sem qualquer justificativa proporcional ao valor original emprestado.

“Temos casos de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. É uma forma extremamente inescrupulosa de cobrança por meio de lesão corporal e ameaças acintosas.”

Fernando Bezerra, delegado do 20º Distrito Integrado de Polícia

Alcance nacional da lavagem de dinheiro

O esquema não se limitava ao Amazonas. As investigações apontaram que a lavagem de dinheiro chegou aos estados da Paraíba, Roraima e Santa Catarina — exatamente onde os dois PMs foram capturados. Para encobrir a origem dos recursos, os criminosos utilizavam sete empresas como fachada, cujas atividades foram judicialmente suspensas durante a operação.

O que foi apreendido

Além das 20 prisões, a PC-AM cumpriu 31 mandados de busca e apreensão. Foram sequestrados 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados. Durante as buscas, os agentes recolheram armas de fogo, espadas, computadores e celulares, que serão analisados para identificar possíveis novos alvos.

“A investigação não para por aí e vem a segunda fase.”

Fernando Bezerra, delegado do 20º DIP

PMs já respondiam a processo administrativo

A Polícia Militar do Amazonas confirmou que os dois militares presos já estavam suspensos das atividades policiais e respondiam a processo administrativo disciplinar anterior. A corporação afirmou que aguardará o desfecho das investigações para aplicar novas medidas, com possibilidade de exclusão do quadro.