Investigações revelaram que a relação entre a influenciadora Deolane Bezerra e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho (o Marcola), vai além de uma possível amizade. A criadora de conteúdo digital foi presa na Operação Vérnix, na manhã desta quinta-feira (21), em São Paulo.
Segundo o inquérito policial, as duas mulheres chegaram a morar em casas próximas no mesmo bairro, o que para os investigadores reforça os indícios de vínculo estreito entre elas.
Relação de Deolane e sobrinha de Marcola
Paloma, filha de Alejandro Juvenal Herbas Camacho, o “Gordão”, é apontada como a principal intermediária das ordens da cúpula da facção. Ela seria responsável por transmitir as determinações recebidas durante as visitas no sistema prisional federal para os gestores financeiros externos do esquema de lavagem de dinheiro.
Além disso, ela teria a função de gerir a parcela patrimonial da família e orientar a divisão de lucros de uma transportadora, que seria a “empresa de fachada” do grupo.
Do outro lado, está Deolane. De acordo com as investigações, a influencer ocuparia uma posição central no chamado “núcleo financeiro” do esquema.
As autoridades descrevem que os papéis de Paloma e Deolane eram complementares: enquanto a sobrinha de Marcola garantia a transmissão de ordens e a repartição de lucros, a criadora de conteúdo emprestava a própria estrutura empresarial e sua “aparente respeitabilidade social” para a fase de integração.
Essa fase seria o estágio mais avançado da lavagem de dinheiro, onde os valores ganhavam a aparência de legalidade.
“Player”, o elo entre as mulheres
O ponto de conexão central entre Deolane e a sobrinha de Marcola passa por um homem identificado como Everton de Souza, o “Player”.
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Ele foi apontado como operador financerio que orientva adepósitos diretos nas contas da influenciadora a partir do “fechamento de contas” mensal do PCC.
A proximidade de Deolane com o homem foi constatada por registros no Sistema Detecta, onde ela aparece ora como representante, ora como restemunha de Everton em ocorrências. Para os investigadores, os fatos evidenciam uma relação que ultrapassa os vínculos profissionais.
A “Operação Vérnix” foi comanda pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) a partir das investigações chefiadas pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
Como Deolane entrou no radar
Segundo a investigação, a ligação surgiu após análise de um aparelho celular apreendido na residência dos responsáveis pela transportadora.
Mensagens encontradas no dispositivo, segundo o Ministério Público, detalhariam o funcionamento financeiro da estrutura investigada, incluindo orientações sobre divisão de valores e destinação de recursos atribuídos ao grupo criminoso.
Nesse contexto aparece Everton de Souza, conhecido como “Player”, descrito pelos investigadores como gestor indireto da transportadora.
De acordo com o relatório, mensagens atribuídas a ele indicariam quais contas bancárias deveriam receber parcelas dos acertos financeiros mensais. Entre as contas mencionadas estariam contas vinculadas a Deolane.
A investigação afirma ainda que comprovantes de depósitos encontrados no próprio aparelho celular apontariam transferências destinadas à influenciadora.
Para os investigadores, os repasses identificados não teriam ocorrido, em tese, como remuneração por atividade advocatícia regular, mas dentro da dinâmica financeira investigada.
O que diz defesa de Deolane
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”
A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.
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