A PF (Polícia Federal) colheu na manhã da última quarta-feira (20) o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, investigada no âmbito das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O objetivo era esclarecer a relação da investigada com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo apurou a CNN, a oitiva, que durou cerca de 1h30 e ocorreu por videoconferência, fez parte um esforço da PF para concluir ao menos 35 depoimentos pendentes relacionados ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
O depoimento
Para a PF, Luchsinger confirmou ter sido remunerada por serviços prestados ao Careca do INSS no âmbito da regulação do mercado de canabidiol no Brasil. Ela negou, porém, ter conhecimento sobre a atuação do investigado no esquema de descontos associativos indevidos de aposentados e pensionistas.
A empresária afirmou ainda que quando conheceu Antônio Carlos não havia nenhuma suspeita de irregularidades envolvendo seu nome.
Sobre a viagem de Lulinha a Portugal, que a defesa do filho do presidente já havia admitido ter sido paga pelo Careca do INSS, a empresária disse não ter participado. Ela afirmou que Lulinha viajou com o “Careca” para Portugal, com a finalidade de sondar negócios relacionados a canabis medicinal.
“[Roberta] não esteve em viagem a Portugal, mas, do que tem conhecimento, tratava-se de uma viagem de prospecção e de sondagem de negócios, algo fora do escopo de sua prestação de serviços. Fábio foi convidado por sua curiosidade relativa ao assunto, oriunda, inclusive, em função da utilização de medicamento à base de canabidiol por familiares”, disse a defesa da empresária.
A empresária confirmou ter uma relação de amizade com Lulinha e a esposa há muitos anos, mas negou a existência de repasses de dinheiro ao filho do presidente.
Ainda em depoimento, Luchsinger confirmou ter apresentado Lulinha ao “Careca”, segundo ela, em um “contexto social”. A empresária também disse à PF que, após a deflagração da operação, em abril do ano passado, “teve receio de que esse contato pudesse ser explorado politicamente”.
Durante a oitiva, a PF não questionou sobre quem seria o “filho do rapaz” ao qual o Careca do INSS, se refere como destinatário de um pagamento de R$ 300 mil.
A menção foi feita em uma conversa do “Careca” com seu antigo funcionário Milton Júnior. Segundo uma fonte que acompanha o caso, a PF também não questionou Milton sobre quem seria “o filho do rapaz”, que a oposição considera ser Lulinha.
Investigação da PF
Segundo relatórios da Polícia Federal que constam de decisões autorizando fases da chamada “Operação Sem Desconto“, Roberta Luchsinger teria trabalhado para o “Careca do INSS”, sendo uma possível operadora financeira e política do esquema de fraudes.
Uma empresa registrada em nome de Roberta, a RL Consultoria e Intermediações Limitada, teria recebido quase um milhão e meio de reais em transferências oriundas da Brasília Consultoria Empresarial Limitada, empresa considerada de fachada e ligada ao Careca do INSS.
O depoimento aconteceu em um momento de controvérsia interna nas investigações. Recentemente, a PF transferiu o inquérito da Divisão de Crimes Previdenciários para a coordenação responsável por casos com foro privilegiado.
A mudança gerou acusações da oposição, que a interpreta como uma possível interferência do Executivo na condução das apurações. Segundo as informações apuradas, André Mendonça, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) não teria visto com bons olhos a alteração e estudava uma possível ação nesse sentido, diante da alegada descontinuidade das investigações provocada pela troca de comando dentro da corporação.
*Com informações de Caio Junqueira e Elijonas Maia, da CNN.

