Na última quarta-feira (20), a PF (Polícia Federal) rejeitou a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master. Investimentos de previdências municipais e estaduais, além de supostas trocas de mensagens com parlamentares e magistrados, aqueceram expectativas por revelações que poderiam surgir das declarações do ex-banqueiro. A alegação é de que a proposta não trouxe novidades em relação ao que os investigadores já haviam reunido.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez no dia 17 de novembro, quando a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investigava emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. A prisão ocorreu no Aeroporto de Guarulhos enquanto Vorcaro tentava embarcar para Dubai.
No dia anterior da prisão, o Master anunciou que seria comprado por um consórcio entre a Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos. Segundo ex-controlador, a viagem seria para concluir a negociação, mas a PF temia risco de fuga.
Onze dias depois, em 28 de novembro de 2025, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) ordenou a soltura de Daniel Vorcaro, que entregou o passaporte e passou a ser monitorado eletronicamente.
Em 4 de março de 2026, na terceira fase da mesma operação da PF, Vorcaro voltou a ser preso preventivamente. Segundo relatório da PF, o ex-banqueiro continuou ocultando recursos bilionários em nome de terceiros após ser posto em liberdade pela primeira vez. Nesta mesma fase, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro também foi preso.
Pouco mais de uma semana depois, no dia 13 de março, a segunda turma do STF se reuniu para deliberar sobre a manutenção da prisão preventiva dos alvos da investigação. O ministro André Mendonça foi relator da ação. Por unanimidade de votos, os investigados do caso Master seguiram presos.
No mesmo dia, o advogado José Luís Oliveira Lima assumiu o comando da defesa do ex-dono do Master para organizar uma proposta de delação premiada. Após início das tratativas no dia 19 de março, a primeira proposição à PF e PGR veio no dia 5 de maio.
A PF recusou o material na última quarta-feira (20) com a avaliação de que os relatos eram seletivos e de pouca contribuição para as apurações. A PGR (Procuradoria Geral da República) ainda não deu seu veredito se prosseguirá com as negociações.
Enquanto a delação era avaliada, Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro, também foram presos pela PF em uma nova fase da Operação Compliance Zero.
*Sob supervisão de Renata Souza

