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Cuba está pronta para negociar com os EUA, diz embaixador ao New York Times

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Cuba está pronta para negociar com os EUA, diz embaixador ao New York Times

Cuba está disposta a negociar com os Estados Unidos e poderia fazer mudanças em sua economia e em seu governo, afirmou o embaixador do país na ONU, Ernesto Soberón Guzmán.

“Cuba está disposta a conversar sobre tudo com os Estados Unidos. Não há nenhum assunto tabu em nossas conversas — com base na reciprocidade e na igualdade”, afirmou o diplomata em entrevista ao jornal americano NYT (The New York Times) na quarta-feira (20).

De toda forma, Guzmán não deu detalhes sobre quais mudanças o governo cubano estaria aberto a fazer e alertou que não acreditam que a Casa Branca esteja participando de conversas com “boa fé”.

Ele ressaltou que a “retórica belicista” dos EUA não auxilia na retomada do diálogo, acusando a administração de Donald Trump de criar diferentes pretextos para uma agressão militar contra a ilha do Caribe.

As declarações foram feitas no mesmo dia em que os Estados Unidos revelaram acusações contra Raúl Castro, ex-presidente e figura importante da Revolução Cubana.

O ex-líder caribenho foi acusado de conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de uma aeronave e assassinato devido ao abatimento de aviões civis por jatos cubanos em 1996. Na época, Castro era ministro da Defesa.

Também nesta semana, o governo dos EUA aplicou sanções contra autoridades de Cuba, incluindo três ministros e vários líderes militares. Também foram alvo da medida a diretoria de inteligência do país, a Polícia Nacional Revolucionária e o Ministério do Interior.

Apoio dos EUA e cooperação

Durante a entrevista ao NYT, o embaixador cubano também abordou a ajuda oferecida pelos Estados Unidos de US$ 100 milhões (equivalente a cerca de R$ 500 milhões).

Guzmán afirmou que Cuba planeja aceitar o montante, mas também considerou a oferta um “insulto”.

O país caribenho enfrenta graves problemas energéticos e apagões, impactando diretamente a economia. O diplomata culpou o embargo comercial e o bloqueio do petróleo impostos pelos EUA por muitos dos problemas econômicos da ilha.

Segundo declarou ao jornal americano, Cuba esgotou suas reservas de combustível e está sustentando sua rede elétrica exclusivamente com petróleo produzido internamente e energia renovável.

Ainda assim, Ernesto Guzmán pontuou que há diversas áreas em que Cuba e EUA poderiam cooperar, como imigração, turismo, agricultura, produção de medicamentos e combate ao narcotráfico.

Por outro lado, afirmou que Cuba não receberá “lições” dos EUA sobre democracia, criticando vários aspectos do sistema eleitoral americano. “É essa a democracia que eles querem para Cuba? Não nos interessa”, disse ele ao NYT.

Em outro momento, o embaixador cubano alegou que a Casa Branca mantém relações positivas com diversas nações que, em suas palavras, não possuem sistemas democráticos.

“Portanto, a democracia em Cuba não é o motivo pelo qual os Estados Unidos estão exercendo pressão”, concluiu.

Embaixador de Cuba critica Marco Rubio

Na quarta-feira, Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, divulgou um vídeo acusando o governo cubano de enriquecer às custas do povo e sendo responsável pela escassez de eletricidade, alimentos e combustível.

O embaixador Ernesto Guzmán rebateu a declaração de Rubio, avaliando que foram “para qualquer pessoa que tenha um mínimo de bom senso, um insulto à inteligência humana”.

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