De acordo com Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS (Associação Paulista de Supermercados), o período da Copa representa um dos momentos mais estratégicos para o varejo alimentar no país. “Os grandes eventos esportivos influenciam diretamente o comportamento de compra do consumidor brasileiro. Existe um aumento muito forte nas confraternizações e isso se traduz em maior demanda por proteínas, principalmente carne bovina, além de itens ligados ao churrasco e alimentos práticos para consumo em grupo”, afirma.
Queiroz destaca ainda que o setor supermercadista já trabalha antecipadamente para evitar rupturas de estoque durante a competição. “A preparação do varejo envolve reforço operacional, aumento de estoque e negociações antecipadas com a indústria justamente porque existe expectativa de crescimento importante nas vendas durante a Copa do Mundo”, completa.
Só para se ter uma ideia, o estudo da Scanntech na Copa do Mundo de 2022 o aumento no fluxo de consumidores chegou a 8,3% acima da linha de base no chamado D-1, o dia anterior aos jogos. Em cenários de forte apelo cultural, como sextas-feiras antes de partidas aos sábados, o crescimento atingiu 18,8%.
Durante a coletiva de imprensa realizada na APAS Show, a associação trouxe projeções de que a categoria churrasqueira lidera o crescimento com avanço de 227% nos dias de jogos. Entre os produtos mais procurados aparecem o espetinho bovino com alta de 67%, frango inteiro com 60%, maminha bovina com 53%, salame com 43%, tábua de frios com 41% e picanha com crescimento de 29%.
O levantamento também mostra que, enquanto o dia do jogo registra alta mais moderada de 1,7% no fluxo das lojas, o dia seguinte mantém o ritmo aquecido com crescimento de 5,5%. No consolidado entre véspera, dia do jogo e pós-jogo, o avanço médio chega a 5,6%.
Segundo a Kantar WorldPanel, cerca de 35 milhões de brasileiros fazem churrasco semanalmente, o que levou o país a alcançar a marca histórica de 1 bilhão de churrascos em 2025. A pesquisa também mostra o protagonismo absoluto da carne bovina, presente como única proteína consumida em 4 de cada 10 churrascos.
Além disso, 86% dos brasileiros associam diretamente o futebol ao churrasco, consolidando uma relação cultural que impulsiona ainda mais o consumo de carnes durante a Copa do Mundo.
A Associação também destacou que o consumidor também busca cada vez mais produtos ligados à saudabilidade e praticidade, impulsionando categorias como alimentos ricos em proteínas, itens zero açúcar, zero álcool, snacks e produtos preparados para air fryer. Esse movimento amplia o espaço das proteínas não apenas no churrasco tradicional, mas também em refeições rápidas e convenientes durante os jogos.
O economista da APAS também reforçou que a demanda pelas proteínas para o churrasco também vai depender do desempenho da Seleção Brasileira. As projeções indicam que, caso o Brasil seja eliminado ainda na fase de grupos, o crescimento do varejo deve ficar em 3,6%. Se a seleção avançar até as quartas de final, a expansão pode variar entre 4,3% e 5,5%.
Já em um cenário de semifinal e final, o crescimento pode atingir entre 6,2% e 8,6%, impulsionado pelo aumento das celebrações, festas e encontros entre amigos e familiares.
Varejo
Dentro desse cenário, a indústria de proteínas já começou a intensificar suas estratégias de marketing para aproveitar o aumento esperado no consumo. A Maturatta, linha especializada em churrasco da Friboi, lançou uma campanha estrelada por Ronaldinho Gaúcho para reforçar a conexão entre futebol e churrasco.
“Sabemos que grandes eventos esportivos influenciam na frequência de confraternizações e, consequentemente, no planejamento da rotina de compra dos brasileiros. E Maturatta, marca especialista e referência em churrasco, vem com um plano 360° para otimizar esse momento. Nossa estratégia é justamente garantir que o varejo esteja abastecido e ambientado para absorver essa alta de dois dígitos na demanda, unindo experiência de marca e conversão direta na gôndola”, afirma Daniela Perez, gerente de Marketing da Friboi.
A Seara aposta em uma linha voltada para churrasco e em campanhas estreladas por Galvão Bueno para fortalecer a conexão da marca com o público apaixonado por futebol. A companhia projeta crescimento de 40% nas vendas durante o torneio, impulsionado principalmente pela procura por produtos práticos e itens para grelha, reforçando como a Copa já movimenta uma forte corrida comercial entre as indústrias de alimentos.
Segundo Rafael Palmer, diretor de Marketing de Alimentos Preparados da Seara, a empresa projeta aumento de 40% nas vendas durante a Copa do Mundo de 2026, com foco principalmente nos itens voltados ao churrasco. A estratégia da companhia será concentrada no chamado “primeiro tempo do churrasco”, apostando em entradas, linguiças e cortes para grelha, ampliando o consumo desde os momentos que antecedem as partidas.
Pesquisa: brasileiros devem continuar a consumir carne bovina

