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Como aproveitar a nota do Enem para fazer graduação fora do Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Como aproveitar a nota do Enem para fazer graduação fora do Brasil

Com a proximidade do período de inscrições do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), tradicionalmente realizado entre os meses de maio e junho, cresce também o interesse dos brasileiros por oportunidades de graduação no exterior.

Um levantamento do Salão do Estudante feito em 2024 mostrou que mais de um terço dos estudantes considera cursar o ensino superior fora do país, refletindo uma tendência de internacionalização forte entre os jovens. 

Neste contexto, cada vez mais universidades no exterior reconhecem o Enem como critério de admissão, seja de forma integral ou complementar. Países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e França já contam com instituições que consideram o desempenho no exame em seus processos seletivos, ampliando o acesso de brasileiros à graduação internacional.

De acordo com Marcelo Melo, diretor executivo da IE Intercâmbio e especialista em educação internacional, o momento de inscrição é estratégico para ampliar o olhar sobre as possibilidades. “Muitos estudantes ainda associam o Enem apenas ao ingresso em universidades brasileiras, mas ele também pode ser utilizado como porta de entrada para instituições no exterior. Planejar isso desde a inscrição faz diferença”, afirma.

Desempenho necessário para aplicar

Um dos principais pontos de atenção é a pontuação no exame. Segundo o especialista, universidades internacionais costumam exigir médias a partir de 600 pontos, enquanto instituições mais competitivas podem pedir notas acima de 700 ou até 750, a depender do curso e do país.

Além da pontuação, o processo seletivo tende a ser mais amplo do que no Brasil. “A nota do ENEM é apenas uma parte da candidatura. As universidades também avaliam histórico escolar, nível de proficiência no idioma, como inglês ou francês, e, em muitos casos, redações, cartas de motivação e atividades extracurriculares”, explica Melo.

O que considerar na candidatura

Outro aspecto relevante é entender como cada instituição utiliza o exame. Em alguns casos, o Enem  pode substituir provas padronizadas locais; em outros, funciona como complemento no processo seletivo. Por isso, pesquisar previamente os critérios de cada universidade é uma etapa fundamental para evitar inconsistências na candidatura.

Questões práticas também entram no planejamento, como prazos, que podem começar com até um ano de antecedência, além de custos com mensalidade, moradia, visto e seguro. Esses fatores devem ser considerados desde o início para garantir uma aplicação mais estruturada.

Para o especialista, o interesse crescente reflete uma mudança no perfil do estudante brasileiro. “Os jovens estão mais abertos a experiências internacionais e enxergam a graduação fora do país como um diferencial competitivo. O Enem surge como um facilitador importante nesse contexto”, afirma.

Apesar das oportunidades, o executivo reforça que estratégia é essencial. “Não basta apenas ter uma boa nota. É importante alinhar o desempenho no Enem com os requisitos da universidade, organizar a documentação com antecedência e construir uma candidatura consistente”, conclui.

Com a ampliação do número de instituições estrangeiras que aceitam o Enem , a expectativa é que o exame continue ganhando relevância como ponte entre o ensino médio brasileiro e o ensino superior internacional, especialmente para estudantes que já começam a se planejar desde o momento da inscrição.

*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil

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