A PF (Polícia Federal) rejeitou formalmente a colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No entanto, a PGR (Procuradoria-Geral da República) segue nas negociações com a defesa do investigado, inclusive com reuniões presenciais em Brasília.
Segundo o analista de Política da CNN Caio Junqueira, a rejeição foi comunicada oficialmente aos advogados de Vorcaro, mas a equipe de defesa continuou tratando o assunto diretamente com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A negociação inclui divergências sobre o valor do ressarcimento: enquanto a Procuradoria teria como meta entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões, a defesa estaria disposta a aceitar um acordo em torno de R$ 40 bilhões.
Rejeição não encerra o processo de delação, avaliam analistas
Para Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, a rejeição inicial não significa o fim das negociações. “A primeira delação é uma espécie de vai que cola”, afirmou. Segundo ele, dificilmente uma colaboração premiada seria aceita de imediato, pois costuma funcionar como um ensaio, com proteções evidentes.
Aragão avaliou que Vorcaro e seus advogados podem preparar novas revelações e tentar novamente, e que a rejeição pode estar relacionada ao fato de as informações apresentadas não trazerem novidades em relação ao que a própria Polícia Federal já obteve com a quebra de sigilos telefônicos e telemáticos.
O cientista político também destacou a dimensão política do processo. Segundo ele, há uma questão em aberto sobre até que ponto tanto a defesa de Vorcaro quanto a PGR estariam dispostas a entregar uma delação completa que envolvesse a cúpula do Congresso e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Caso Master se desloca para o campo da direita
Sergio Denicoli, cientista de dados e CEO da AP Exata, analisou o impacto do escândalo nas redes sociais e no eleitorado. De acordo com ele, o caso começou como um problema associado à esquerda, passou a ser visto como uma crise da política em geral e agora se desloca para o campo da direita, em razão do envolvimento do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
“Esse sentimento nas redes é um sentimento de muita decepção”, disse Denicoli. Ele destacou que o eleitor de centro, estimado em cerca de um terço do eleitorado, está particularmente insatisfeito com a política e será determinante nas eleições.
O CEO da AP Exata também mencionou a possibilidade de a direita reconsiderar a candidatura de Flávio. “Talvez optem, por exemplo, pela Michelle“, sugeriu, argumentando que ela teria um contato melhor com o eleitorado feminino e poderia ser uma alternativa para contornar a rejeição crescente. Para ele, quanto mais tempo a crise se prolongar, mais difícil será a recuperação.
Estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro passa por reformulação
Caio Junqueira detalhou as mudanças esperadas na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) após a troca de marqueteiro. Segundo ele, a principal expectativa é um maior alinhamento entre a coordenação política, liderada por Rogério Marinho (PL-RN), e o novo publicitário, Eduardo Fischer.
O analista de Política da CNN apontou que a falta desse alinhamento era uma das principais deficiências da campanha. Entre as ações previstas, estaria a antecipação de propostas do projeto econômico e do nome da equipe econômica, além de uma prestação de contas sobre o fluxo de recursos ligados ao caso.
A âncora da CNN Thais Herédia também levantou a questão do valor do ressarcimento discutido na negociação com a PGR. Ela observou que, independentemente do montante acordado, a cifra em si já comprova a dimensão do escândalo.
“O acordo para a devolução do dinheiro, para ele ser crível até diante da sociedade, ele tem que estar de um tamanho que condiz com a realidade”, afirmou. Ela questionou ainda onde estaria esse dinheiro, lembrando que o rastreamento identificou apenas R$ 2 bilhões na conta do pai de Vorcaro.
O cientista político Murillo de Aragão avaliou o cenário eleitoral e disse que “Flávio se enfraquece muito” e “talvez insistam na candidatura, mas tudo depende de novas revelações de como esse episódio com o Banco Master vai ser explicado.”
O CEO da Arko Advice reforçou que o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém, mas que novas revelações até as eleições podem mudar o destino da disputa.

