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Análise: Impasse sobre Estreito de Ormuz favorece Putin

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Impasse sobre Estreito de Ormuz favorece Putin

O impasse em torno do fechamento do Estreito de Ormuz está gerando consequências diretas para o financiamento da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Com a alta no preço do petróleo provocada pelo bloqueio da rota marítima, a Rússia passa a arrecadar mais com a venda de seu produto no mercado internacional, mesmo com o desconto aplicado aos compradores parceiros.

A análise é de Gabriel Monteiro, analista de Economia, durante o Agora CNN, que detalhou como dois conflitos simultâneos, a guerra entre Rússia e Ucrânia e o confronto entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, se entrelaçam com impactos econômicos significativos.

Petróleo russo: fonte essencial de arrecadação

Segundo Monteiro, cerca de um quarto de toda a arrecadação do governo russo provém da venda de petróleo no mercado internacional. Desde o início da guerra contra a Ucrânia, os Estados Unidos impuseram diversas sanções sobre esse petróleo, especialmente por via marítima. Mesmo assim, a commodity continua sendo uma fonte de receita extremamente relevante para Moscou. Volodymyr Zelensky chegou a afirmar, em diversas ocasiões, que permitir a continuidade da comercialização do petróleo russo no mercado global equivale a financiar diretamente o conflito.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo disparou, superando os 100 dólares e chegando a 120 dólares em determinados momentos. Embora o petróleo russo seja negociado com um deságio — uma contrapartida oferecida aos parceiros comerciais para mantê-los comprando —, o produto russo também acompanhou a alta geral. Na prática, a Rússia passou a vender a mesma quantidade de petróleo, porém a preços mais elevados.

Sanções suspensas e volumes recordes de importação

Diante do temor de um choque energético, os Estados Unidos suspenderam, nos últimos dois meses, algumas das sanções impostas ao petróleo russo, permitindo que países ao redor do mundo voltassem a adquiri-lo com maior liberdade. Um dos principais beneficiários dessa abertura foi a Índia, que registrou volumes recordes de importação do produto russo entre abril e maio, justamente em razão da crise gerada pelo impasse em Ormuz.

De acordo com Monteiro, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bassett, indicou que a suspensão temporária das sanções já expirou e não será renovada. No entanto, caso a crise energética persista e o preço dos combustíveis continue elevado para os consumidores americanos, a continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz poderá representar um benefício fiscal concreto para a Rússia.

Produção em queda, mas ganhos no curto prazo

Apesar dos problemas enfrentados na produção de petróleo, a Ucrânia chegou a atacar infraestruturas de produção de energia em território russo, e o país revisou para baixo suas projeções para os próximos anos. O impacto imediato do cenário atual é o de mais dinheiro nas mãos do governo russo. “O impacto de curto prazo é mais dinheiro na mão dos russos”, afirmou Monteiro.

No âmbito diplomático, o Irã anunciou, no último fim de semana, que o mecanismo de cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz já está pronto e será colocado em prática. Os Estados Unidos se opõem totalmente a essa medida e tentam articular, na ONU, uma reabertura forçada da rota com o apoio de outros países. Contudo, China e Rússia vetaram a proposta na reunião mais recente e prometeram fazer o mesmo caso ela volte à mesa de negociações.

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