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Vorcaro tem de revelar provas novas para garantir delação, diz especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Vorcaro tem de revelar provas novas para garantir delação, diz especialista

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, precisa apresentar elementos verdadeiramente vantajosos para o avanço das investigações sobre o caso Master se quiser fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. É o que afirma Gustavo Sampaio, professor de direito constitucional da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista ao Agora CNN deste sábado (16).

A sexta fase da Operação Compliance Zero, realizada na manhã da última quinta-feira (14), resultou na prisão de Henrique Vorcaro — empresário e pai de Daniel. As investigações apontam que Henrique era o financiador de um grupo denominado “A Turma”, que atuava intimidando inimizades de Vorcaro e na obtenção de dados sigilosos.

O que é necessário para a delação ser aceita?

Gustavo Sampaio explicou que a colaboração premiada, prevista na Lei 12.850 de 2013 — conhecida como Lei das Organizações Criminosas —, não constitui prova em si mesma, mas sim serve como a abertura de um caminho que conduz o sistema de justiça criminal à produção probatória. “A colaboração premiada é um acordo de vontades, um negócio jurídico processual celebrado entre aquele que colabora e o sistema de justiça criminal”, afirmou o especialista.

Segundo Sampaio, como todo acordo de vontade, a delação exige vantagens para ambas as partes. “O que os advogados de Vorcaro precisam produzir é o convencimento necessário para que o ex-banqueiro aponte elementos que se prestem à evolução das investigações“, disse o professor. Caso contrário, alertou o especialista, Vorcaro corre o risco de perder a oportunidade para outros investigados que se antecipem e apresentem as informações primeiro.

Três requisitos cruciais segundo investigadores

Durante a entrevista, foram destacados três pontos considerados cruciais por quem atua diretamente nas tratativas, tanto na Procuradoria-Geral da República quanto na Polícia Federal: o ineditismo dos fatos apresentados, os elementos que corroboram as provas que a Polícia Federal ainda precisa alcançar, e a capacidade do candidato a delator de ressarcir os cofres públicos pelo prejuízo causado. No caso de Vorcaro, há dificuldade em preencher esses requisitos na avaliação dos investigadores.

Sampaio destacou que o avanço das investigações representam uma pressão adicional sobre Vorcaro. “Se outras pessoas se apresentarem antes dele, é possível que elas entreguem elementos que preencham as lacunas nas investigações”, afirmou. “Se tais acordos forem celebrados com outros indivíduos e a Polícia Federal se considerar satisfeita, Vorcaro terá perdido a oportunidade”, pontuou o professor.

Pressão psicológica e dificuldades para colaborar

Gustavo Sampaio avaliou que Vorcaro se encontra sob intensa pressão psicológica, especialmente considerando que ele se gabou de ter amigos nos três poderes da República e em todas as esferas de governo. “Se isso é uma realidade, ele terá dificuldade de colaborar e de entregar pessoas”, afirmou. Segundo o especialista, o medo de expor autoridades públicas de alto poder é um dos fatores que fazem Vorcaro titubear e demorar.

Outro obstáculo apontado é a questão da restituição ao erário — a devolução de recursos desviados ou utilizados indevidamente aos cofres públicos. Sampaio indicou que esse pode ser o principal elemento a dificultar a participação de Vorcaro no acordo, sobretudo em razão da liquidação extrajudicial do Banco Master e de capitais que estariam ocultos em diversas partes do mundo. “No que se refere à produção de provas, nós sabemos que, de todos, Vorcaro é o que mais sabe, é o que mais conhece. Ele vai precisar de coragem”, afirmou o especialista.

Impacto nas eleições de 2026

O especialista também analisou as possíveis consequências políticas do caso em ano eleitoral. Sampaio mencionou que as investigações têm alcançado autoridades públicas como Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, além de envolver o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro com suposta participação do Banco Master.

Na avaliação de Sampaio, a não colaboração de Vorcaro até o momento pode ser um elemento decisivo para as eleições de 2026, especialmente por conta de uma parcela de eleitores que podem ser influenciados pelas revelações das investigações. “A colaboração premiada, se vier, poderá ser decisiva no transcurso das investigações para selar o destino da eleição nacional de 2026″, concluiu o especialista.

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