A continuidade do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o preço do petróleo, que retomou uma trajetória de alta após ter recuado brevemente abaixo dos US$ 100 com expectativas de um acordo de paz.
As negociações, no entanto, não avançaram: uma proposta formulada pelo Irã não foi aceita pelos Estados Unidos, e uma proposta norte-americana anterior também não foi aceita por Teerã.
Diante do impasse diplomático, o petróleo voltou a subir com força, rondando a marca dos US$ 100. O cenário preocupa não apenas pelo preço em si, mas pelos efeitos em cadeia que a alta da commodity pode provocar na economia global nos próximos meses.
O assunto foi discutido no Resenha do Dinheiro de sexta-feira (15).
Líderes empresariais alertam para o pior
Líderes e executivos de algumas das maiores empresas do mundo passaram a sinalizar que já há características de recessão no cenário global em decorrência da situação do petróleo.
O presidente da MSC, uma das maiores empresas de frete marítimo do planeta, afirmou que o pior ainda está por vir, com impactos negativos para a economia global e para os resultados das empresas nos próximos meses.
A avaliação reforça a percepção de que os efeitos da alta do petróleo demoram a se manifestar plenamente na economia como um todo.
A Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, também se manifestou sobre a crise, comparando o atual momento a períodos mais graves como o choque do petróleo registrado entre 1973 e 1980.
O alerta reforça a dependência estrutural da economia global em relação ao petróleo, que encarece toda a cadeia produtiva quando seu preço sobe de forma abrupta.
Inflação, juros e estratégias de investimento
O aumento do preço do petróleo pressiona a inflação e as taxas de juros, reduzindo o ciclo de queda de juros esperado pelos mercados.
Nesse contexto, investidores de bolsa são obrigados a revisar suas estratégias. Em uma carta escrita em 1973, Warren Buffett já orientava que, em cenários inflacionários e de choque de preços, o ideal é investir em empresas com grande poder de repassar custos aos consumidores. Empresas sem esse poder tendem a perder margem e, consequentemente, valuation.
Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil

