Uma escovação correta vai muito além de passar a escova rapidamente pelos dentes. De acordo com especialistas em periodontia, a higiene bucal ideal deve ser feita com calma, diante do espelho, removendo o biofilme de cada dente, superfície por superfície.
Em entrevista ao Dr. Roberto Kalil no CNN Sinais Vitais deste sábado (16), os periodontistas e professores Cláudio Pannuti e Cristina Villa, ambos da Faculdade de Odontologia da USP, detalharam as melhores práticas de escovação e alertaram para os erros mais frequentes cometidos pela população.
Segundo Pannuti, uma higiene bucal bem-feita é aquela realizada de forma meticulosa, com atenção total ao processo. “Uma escovação bem feita é aquela feita com calma, meticulosamente, olhando o espelho, não, por exemplo, na sala assistindo TV, e com o objetivo de remover o biofilme dentário, dente por dente, superfície por superfície”, afirmou.
O biofilme dentário, também conhecido como “placa bacteriana”, é uma película fina e invisível que se forma sobre os dentes. Ele é o principal fator causador das duas doenças bucais mais prevalentes no mundo: a cárie e as doenças periodontais.
Ele destacou a importância de focar especialmente na região entre os dentes e próximo à margem da gengiva e explicou por que a regularidade é fundamental. “Depois que você faz uma escovação, por melhor que seja, ou até depois que você vai ao dentista, faz uma limpeza, em algumas horas já começa a formar o biofilme de novo”, alertou Pannuti. Por isso, a remoção diária é indispensável.
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica e do Ministério da Saúde, citadas por Pannuti, recomendam escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, durante no mínimo dois minutos, e sempre com dentifrício fluoretado. Segundo o especialista, essas orientações fazem parte de um conjunto de autocuidados com a saúde que devem ser incorporados à rotina diária.
Os erros mais comuns
Cristina Villa listou os principais equívocos observados na escovação cotidiana. “Os principais erros que a gente encontra são uma escovação com duração muito curta, realizada com técnica incorreta e não alcançando todas as superfícies de todos os dentes”, disse. Ela acrescentou que outro problema bastante comum é o uso de força excessiva ou de escovas muito duras.
A especialista destacou que estudos observacionais revelaram um dado preocupante: mesmo quando os participantes sabiam que estavam sendo monitorados em uma pesquisa, o tempo médio de escovação era inferior a um minuto, cerca de 40 segundos. “Não é suficiente”, afirmou Villa. Como consequência, diversas superfícies dentárias acabam não sendo higienizadas adequadamente.
Sobre o uso de força excessiva, Villa esclareceu que muitos pacientes acreditam erroneamente que escovar com mais vigor ou com escova dura remove melhor o biofilme bacteriano. “Isso não é verdade”, afirmou. Ao contrário, essa prática pode causar danos aos tecidos gengivais e levar ao desgaste dos dentes ao longo do tempo.
Por fim, a periodontista reforçou a recomendação: escovar duas vezes ao dia, por pelo menos dois minutos em cada episódio, utilizando dentifrício fluoretado, com uma técnica indicada pelo cirurgião-dentista da pessoa e com consciência sobre a força aplicada durante o processo.

